Opiniao

Aristocracias políticas, populismos e sociedades abertas

Não têm faltado, bons exemplos para ‘estudos de caso’, no que diz respeito às muitas contradições entre as sociedades abertas (ou como o mainstream dominante nos media gosta de qualificar ‘de sociedade aberta’), os populismos e a sua voracidade de acabar (ou no mínimo atingir mortalmente...) as chamadas aristocracias politicas dominantes.

Com o cair de muitas fronteiras politicas, económicas, sociais, culturais e até tecnológicas, ‘o mundo em direto’, tem originado em quase todos os continentes várias ruturas e até em alguns casos revoluções.

A revolução do ‘Homo Comunicatus’ vaticinada por Avlin Tofler tem feito engolir a muita esquerda e extrema-esquerda, a defesa da democracia liberal (quem os viu e vê agora já que durante tanto tempo a chamaram de democracia burguesa e do capitalismo...) pela goela abaixo. Isto acontece quando, em resultado do mundo aberto e de direitos fundamentais, se levantam cada vez mais vozes e organizações contra o globalismo, o liberalismo político, económico, social e até cultural, contra o universalismo supra estadual, contra as unipolaridades normativas e diplomáticas, de pendor supra estadual.

Entretidos com a vontade de acabar ou de atingir mortalmente muitas das aristocracias políticas contemporâneas (esquecendo-se que na prática tratam-se de protagonistas e de instituições e de organizações com legitimidade e representativas próprias originárias e derivadas da lei), os anti-sociedade aberta (e tudo o que esta representa e permite e proporciona) utilizam (em contradição) muitos dos instrumentos que criaram e sustentaram a(s) sociedade(s) aberta(s), como são os casos das redes sociais, dos novos media digitais (alguns que migraram da sua condição clássica que não só do suporte de papel), dos temas e dos factos enquanto conteúdos que passaram a priorizar (a obsessão por despir de todas as maneiras e com os piores efeitos e suspeições possíveis a ‘canalha dos poderosos’ da política, da economia, da banca, etc.), tropeçando em muitas mentiras que encantam em detrimento de muitas verdades que incomodam. E violando não só a sua deontologia bem como valores éticos e morais maiores. Os anti-sociedade aberta mais ferozes e mais determinados, vestem com muita sofreguidão a farda de populistas e de nacionalistas. São os dos banhos de ética. São os de uma moralidade à prova de bala. São os do povo. Os únicos que vêm do povo. Querem o fim da sociedade aberta e o regresso das nações e pátrias à antiga – fechadinhas, com fronteiras e segurança à prova de bala, com pureza das ‘raças’ (atenção que o termo não é meu...), com a diabolização do estrangeiro, dos imigrantes, dos asilados, dos refugiados, etc., etc..

Estes populistas adoram, até quando lhes dá jeito, usar símbolos religiosos, quando quase tudo neles é contra a religião (a sua ou dos que querem conquistar). Quase sempre estes populistas, coligados com as redes sociais e com vários media, usam a imbecilidade, para conquistar ‘votos’ e ‘gostos’, ‘seguidores’ e ‘likes’ fogosos e arrebatadores. Estes populismos exploram até ao limite a imbecilidade de outrem para alargarem a sua influência. Alimentados nos media e em redes sociais da sociedade aberta, imbecilizam quem não é imbecil e transformam os imbecis em gente que aceita serem os seus protagonistas e defensores. A cultura política contemporânea, gosta mais de catalogar estes populismos de extrema-direita. E muitos são-no. Mas existem muitos populismos de extrema-esquerda. Mas lá está, muitos media, entendem que não, e, portanto, ser populista é ser de extrema-direita. Só de extrema-direita. Mas estes populismos que vivem muito do medo, do confronto, dos casos, das polémicas (verdadeiras ou inventadas) adoram interromper mandatos, atacar as instituições (lá está que só as ‘casas’ das ditas aristocracias politicas) descredibilizando e ridicularizando a democracia demoliberal. Em contradição vivem e alimentam-se muito da fadiga informativa. E a sua austeridade é sempre aquela que não tem ódio. A dos outros é que é a carregada de ódio.

Daniel Bell chama-nos à atenção para que se perceba «que a memoria coletiva é aquilo que mantém o passado, ou pelo menos um retrato altamente seletivo desse tempo, vivo no presente».

Já no passado, Gustavo Le Bon, afirmou que «dominam-se mais facilmente os povos excitando as suas paixões do que cuidando dos seus interesses». E a propósito desta referência a Gustavo Le Bom, bem poderemos afirmar, que os populistas são muito perigosos e às vezes bons, na conquista de votos e até de irem para governos. Mas são muito maus a governar. E aí também as aristocracias politicas são muito melhores. Até porque muitos dos protagonistas maiores dos populismos e diabolizadores da sociedade aberta, pouco ou nada leram, estudaram e ou concretizaram no serviço da causa pública. Apesar de existirem exceções que nos devem impelir, para em normalidade, se tentar perceber quem são os populistas mais perigosos – os mais bem formados académica e profissionalmente ou os não bem formados?

Em tempos de apropriação incoerente de temas (por exemplo, ordem, segurança, contas públicas certas) por parte de alguma esquerda, faz sentido que se diga que vivemos numa espiral de incoerências entre cultores da sociedade aberta e detratores da sociedade aberta e dinamitadores das aristocracias políticas, numa espécie de sociedade e tempo de cúmplices. Cúmplices dessas incoerências, que só beneficiam os populismos negros e dispensáveis para as democracias liberais, para o Estado de Direito Democrático e para a separação de poderes.

olharaocentro@sol.pt

CONVENIENTES

Tecnologia e cidades ocultas
Damian Evans, australiano, recorrendo a tecnologia específica e raios laser, tem, nos últimos anos, conseguido descobrir cidades ocultas com milhares de anos. Autênticas relíquias para os olhos de quem as descobre e sobretudo conhece e visita e valoriza.

INCONVENIENTES

Aviação civil na região centro
Em tempo de quase campanha eleitoral, é importante que quem concorre para vir a ser primeiro-ministro e governar Portugal e os portugueses se pronuncie sobre a região centro vir (ou não) a ter aviação civil. Sobretudo se a opção for a base aérea numero 5 de Monte Real, Leiria.