Desporto

Sportinguista Silas chega à cadeira de sonho 30 anos depois da dispensa por ser franzino

Adepto confesso do clube leonino, o antigo internacional português foi o escolhido por Frederico Varandas para render o interino Leonel Pontes.

Frederico Varandas já escolheu o próximo treinador para a equipa principal do Sporting: Jorge Silas. De acordo com a generalidade da imprensa desportiva nacional, o antigo internacional português de 43 anos deverá ser oficializado esta sexta-feira, sendo já ele a orientar a equipa no encontro de segunda-feira na Vila das Aves, frente à equipa local, rendendo assim o interino Leonel Pontes.

Dispensado do Belenenses SAD há pouco mais de duas semanas, tendo depois revelado divergências na relação com Rui Pedro Soares, o presidente daquele organismo, Silas reúne os predicados desejados pelo líder dos leões: privilegia um futebol virado para o ataque, é jovem, está totalmente familiarizado com o futebol português e tem até um passado ligado ao Sporting.

É verdade: Silas é (realmente) sportinguista desde pequeno, tendo chegado inclusive a jogar duas épocas nas camadas jovens dos leões – acabou por ser dispensado na transição de infantis para iniciados. “Era franzino, baixinho e naquela altura dava-se muita importância ao físico. Mas olhando para trás, acho que tomaram a decisão correta”, afirmou Silas numa entrevista ao Expresso em 2017. O próprio nome por que responde Jorge Manuel Rebelo Fernandes surgiu nesse período, “roubado” a uma antiga estrela sportinguista: Paulo Silas, internacional brasileiro que passou por Alvalade entre 1988 e 1989.

 

Jesus é o ídolo máximo

A desilusão no Sporting não travou o menino nascido em Lisboa a 1 de setembro de 1976, que depois seguiu para o Atlético, onde subiria a sénior. Após três épocas a jogar na II Divisão B, achou que a carreira estava a estagnar e resolveu aventurar-se pelas divisões secundárias do futebol espanhol, passando por Ceuta e Elche. Nesse período deu nas vistas de... José Mourinho, que faria da sua contratação uma prioridade quando assumiu o comando da União de Leiria.

Foi aí que Silas (jogador) explodiu definitivamente, chegando inclusive à seleção nacional pela mão de Luiz Felipe Scolari. Acabaria por nunca chegar a um “grande” do futebol português, tendo representado Marítimo, Belenenses (onde foi treinado por Jorge Jesus, que considera o técnico com quem mais aprendeu enquanto jogador), novamente Leiria, Atlético e Cova da Piedade, onde pendurou as botas no fim de 2016/17 – pelo meio teve ainda passagens por Inglaterra, Chipre e Índia.

Em janeiro de 2018, depois de uma curta experiência no comando técnico da equipa do Sindicato dos Jogadores, chegou ao Belenenses, a primeira grande oportunidade como treinador, após a demissão de Domingos Paciência. Ao todo, em praticamente dois anos ao comando dos azuis, Silas – que ainda não tem o nível IV de treinador, essencial para orientar a equipa nas competições europeias – somou 14 vitórias, 21 empates e 19 derrotas em 54 jogos; segue-se agora um desafio bem mais exigente, numa equipa que tem a obrigação de lutar por títulos mas que soma apenas dois triunfos... desde maio.