Politica

PSD com 20 mil quotas pagas

Já começou a corrida para fechar os cadernos eleitorais. Há dúvidas entre os ‘críticos’. A burocracia e as regras são muito apertadas.

As eleições diretas internas para a liderança do PSD ainda não estão marcadas, mas, neste momento, já existem cerca de 20 mil militantes do partido com quotas em dia, ou seja, aptos a votar, segundo apurou o SOL junto de fontes sociais-democratas. Há dois anos, no final do apuramento dos cadernos eleitorais, o número final foi de 70385 militantes. Os cadernos devem fechar a 20 de dezembro.

O pagamento de quotas tem suscitado debate interno entre militantes, sobretudo pelas dificuldades e burocracia que alguns dirigentes locais detetaram. A direção do PSD implementou um sistema para blindar o caciquismo, evitar casos de militantes com o mesmo número telemóvel ou a mesma morada. Mas, o processo não tem  sido isento de críticas, sobretudo, para quem não atualizou dados, ou  não tem quotas pagas há mais de dois anos.

 Há quem tenha de fazer prova sobre telemóveis pré-pagos, por carregamento, há quem tenha o telemóvel em nome da empresa e não consiga provar que o telemóvel é do próprio. Assim, não recebe o código para pagar a quota. Este tipo de casos implicam uma burocracia que pode ser infindável, e constituir quase uma refiliação ou a desistência do processo.   O quadro complica-se quando há militantes que ainda têm um telefone fixo registado, além da atualização das moradas. Isto porque os comprovativos de morada e telemóvel têm regras: não podem ser apresentadas faturas (luz, gás) com mais de três meses de prazo.  Sem contar que é preciso assinar uma declaração ao abrigo das novas regras de proteção de dados.

 Mas nada que demova a direção de Rui Rio, porque a ordem é apertar a malha, em nome da transparência e não há outra forma de o fazer. Ainda assim, há quem esteja já a fazer um levantamento dos problemas detetados  ( para perceber se há uma limpeza indiscriminada de cadernos) para os levar ao conselho nacional que tudo decidirá sobre eleições, regulamentos e congresso, no próximo dia 8 de novembro. Será a partir daí que as candidaturas a líder (Rui Rio, Luís Montenegro e Miguel Pinto Luz) serão formalizadas oficialmente.

Do lado da secretaria-geral do PSD defendem-se as virtudes do sistema, assegurando-se que  está a funcionar, através de uma aplicação (descarregável no site no PSD). «Não existia, por exemplo, um simples formulário simplificado só para atualizar contactos e hoje existe. A própria app do PSD permite essa atualização», responde a secretaria-geral do PSD ao SOL.

Na prática, houve uma atualização de ficheiros, mas o PSD assegura que os« pedidos de atualização  encontram-se em linha com o que a secretaria-geral tinha previsto». «Entre 70 a 80% dos militantes da emigração não tinham um único contacto – email ou telefone – e o partido tem enviado proativamente comunicações a esses militantes e às estruturas do partido para explicar e incentivar a atualização de dados», afiançou a secretaria-geral, ao fazer o ponto de situação.

Em agosto deste ano, foi ainda lançado um aviso, por  email, com um número – o 927587111– para que o militante recebesse por SMS o código de pagamento, válido por 90 dias, e pago por multibanco. Ao abrigo deste procedimento foram feitos  2699 pedidos, segundo dados apurados até 23 de outubro. Na altura, os críticos  estranharam o timing escolhido, muito antes das legislativas de outubro e quando ainda não se sabia que Rio seria recandidato à liderança. Para o partido, o volume de pedidos «demonstra a forte adesão dos militantes, pela sua simplicidade e à medida que tomam conhecimento do mesmo».

As formas de pagamento são o multibanco, o cheque, o MBway, o cartão de crédito ou o débito direto. E, para quem tem mais de 60 anos, continua válido o vale postal.