À esquerda e à direita

Alguém sabe onde se compra um cofre mágico?

Quando se brinca com Cavaco é humor, quando se brinca com Joacine ou Mamadou é racismo... E ao acusar Laranjo de racista só se está a dar corda aos verdadeiros racistas, numa versão II de Bernardo Silva, o jogador que brincou com um dos melhores amigos da bola que é negro.

Rui Rio deve ser um homem feliz por estes dias já que os disparates do Livre e o episódio de Mamadou Ba do Bloco de Esquerda têm animado as hostes, deixando as lutas do PSD para outra núpcias.  A acrescentar à festa estamos em pleno Black Friday e a jornalista Tânia Laranjo, do Correio da Manhã, ainda veio dar mais gás ao evento, ao publicar nas redes sociais uma foto de Joacine e de Mamadou com a legenda: «Black Friday Promoção Especial Leve 2 e Não Pague Nenhum». Foi o suficiente para ser acusada de racismo, tendo aberto uma discussão em que entra a direção do jornal, o Sindicato dos Jornalistas e mais uns tantos acusadores. Acho a brincadeira de mau gosto, mas daí a considerá-la racista por causa dessa publicação vai uma enormidade. Hoje em dia não se pode brincar com nada que meta cor - os anti-racistas têm alimentado mais o racismo de que quaisquer outros   - e ninguém pode fazer nenhuma chalaça que é logo alvo de um chorrilho de ataques. O racismo é das coisas mais ignóbeis que conheço, mas não creio que Tânia Laranjo tenha cometido algum crime. Se a jornalista tivesse feito a brincadeira com dois políticos brancos numa alusão a alguma festa de branco haveria esta polémica? Claro que não. Quando se brinca com Cavaco é humor, quando se brinca com Joacine ou Mamadou é racismo... E ao acusar Laranjo de racista só se está a dar corda aos verdadeiros racistas, numa versão II de Bernardo Silva, o jogador que brincou com um dos melhores amigos da bola que é negro.

Por falar no direito ao humor, não posso deixar de reparar na diferença dos advogados que estão nos processos Marquês e nos do ataque à academia de Alcochete. De um lado, ilustres causídicos vestidos na Rosa Teixeira ou na Boss - com uma linguagem diplomática e cheia de rodriguinhos interesseiros -, do outro, ‘mangas’ vestidos na feira do Relógio, com uma verve digna das melhores tascas do país. Acredito mesmo que estes dois mundo revelam bem o país que somos. Uns mansinhos, outros histriónicos, basta olhar para o inenarrável Aníbal Pinto, um rapaz capaz de se apresentar às melhores famílias... Lol! Mas ambos procuram atingir os fins a que se propuseram.

Continuando no mundo da bola, o que dizer da anunciada OPA do Benfica clube? Luís Filipe Vieira e o seus amigos mais próximos arranjaram forma de recuperar todo o dinheiro que investiram em 2001, com o Benfica a dar cinco euros por cada ação que esteja em bolsa. Alegam os crânios da Luz que só assim se defendem de uma OPA hostil,  mas já pensam em vender 20% das ações com que ficarem. Além dos milhões que vão recuperar, como o jornal i deu em primeira mão, os acionistas podem olhar para o futuro com um sorriso. Neste país, são poucos os que têm vergonha na cara.

Por fim, outra história soberba, a da instrução da Operação Marquês. Quando se pensava que já se tinha ouvido tudo desde que  Tony Carreira fez sucesso com baladas para sopeiras plagiadas de outro artista português, eis que surge José Sócrates com os cofres e a herança da mãe. Melhor do que esta narrativa, como tanto gosta de dizer a rapaziada moderna, só a do seu amigo Carlos Santos Silva, vulgo CSS e não CSI, que também desencantou um cofre onde guardava milhões que emprestava generosamente ao antigo primeiro-ministro. Eu que não tenho inveja de nada, fiquei com vontade de encontrar um cofre mágico desses. Será que estão à venda na OLX ou numa Black Friday?