Economia

Brasil investe em solução de mobilidade portuguesa

Projeto lançado pela EDP está a ser desenvolvido com a Audi, Porsche e VW. Solução da responsabilidade da Efacec promete revolucionar mercado.

A EDP acaba de reforçar a sua presença no Brasil através de um novo projeto com três empresas do setor automóvel. 
A ideia é instalar 30 postos de carregamento ultrarrápido de veículos elétricos com as marcas Audi, Porsche e Volkswagen (VW). Com uma potência de 160 kW e desenvolvidos pela Efacec, estes carregadores garantem uma «autonomia para 450 km em apenas 20 minutos», confirmou ao SOL fonte oficial da empresa fornecedora dos aparelhos. Ou seja, são três vezes mais rápidos que os atualmente existentes na rede GALP das auto-estradas portuguesas (que têm uma potência de 50 kW).

A mesma fonte oficial da Efacec acrescentou que, além destes 30 carregadores ultrarrápidos entregues aos três grandes fabricantes de automóveis mencionados (10 para cada um), ainda vão ser instalados na rede pública do Estado de S. Paulo mais 30 carregadores com uma potência de 22 kW (carregamento lento).

O investimento deste projecto, que será o primeiro da América do Sul nesta área de mobilidade elétrica (de carregamento rápido), ronda os sete milhões de euros e, segundo a EDP-Brasil, vai ligar 64 pontos de carregamento que interligam São Paulo, Rio de Janeiro, Vitória, Curitiba e Florianópolis, num total de 2500 quilómetros.

E arranca já: a inauguração do primeiro carregador está agendada para o próximo dia 9 de dezembro, ainda que a sua implementação total só fique concluída daqui a três anos.

O projeto já foi aprovado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL). «A EDP acredita que a oferta de infraestrutura adequada e de soluções inovadoras é fundamental para a expansão sustentável da mobilidade elétrica no Brasil. Com a criação desta nova rede de postos elétricos a cobrir todo o estado de São Paulo e ligando os principais corredores elétricos do país. A EDP posiciona-se mais uma vez de forma pioneira para liderar a transição para uma economia de baixo carbono», revela o presidente da EDP no Brasil, Miguel Setas.

A empresa lembra que a mobilidade elétrica tem apresentado um rápido crescimento no mundo, uma tendência que, segundo a mesma, deverá aumentar nos próximos cinco a 10 anos, «devido à progressiva redução do custo das baterias e à vontade de toda a sociedade nesse sentido». E dá como exemplo, as estimativas da Agência Internacional de Energia que aponta para a existência de mais de 56 milhões de veículos elétricos em 2030 no mundo. «Um número que está alinhado com a meta estabelecida em Paris, na Conference of Parties (COP 21), em dezembro de 2015». 

Não é a primeira aposta nesta área da EDP no mercado brasileiro. Recentemente, inaugurou um corredor de abastecimento de veículos elétricos entre o Rio de Janeiro e São Paulo (430 kms).

E os números falam por si. A empresa já veio garantir que quer duplicar de tamanho até 2022 no mercado brasileiro. O objetivo foi anunciado por Miguel Setas, no ‘Investir Day’ da EDP, realizado em São Paulo, no início de novembro. De acordo com o responsável, a ideia é focar-se na transmissão e distribuição. Ainda este ano, reforçou a sua presença no país, com um investimento total de 1,6 mil milhões de reais (cerca de 1,11 mil milhões de euros). «Com base nos investimentos já realizados, a nossa expectativa é dobrar a escala da companhia em um horizonte de três a cinco anos em relação a 2017», afirmou Miguel Setas. 

Efacec reforça presença

Recorde-se que o negócio da mobilidade elétrica, atualmente, já representa 6% no total da faturação da Efacec. O grupo que tem a Isabel dos Santos como acionista de referência tem como objetivo caumentar esta percentagem  para perto dos 15%, cerca de cem milhões de euros, nos próximos  três anos, valorizando assim também o seu contributo para a sustentabilidade ambiental do planeta.

A empresa conseguiu já triplicar a sua produção de carregadores rápidos e ultrarrápidos de veículos elétricos e lançou também novas soluções de carregamento com armazenamento incluído para o segmento residencial e de frotas.