Sociedade

Interesses pessoais levaram diretora da RTP a boicotar reportagem

A RTP vive uma história digna de entrar no Sexta às 9, o seu programa de investigação. O conselho de redação sente-se impotente para avaliar as queixas da equipa de Sandra Felgueiras, que acusou Flor Pedroso, a diretora, de boicotar uma reportagem em que era parte interessada e, por isso, convocou os jornalistas para um plenário.

“Os Membros Eleitos do Conselho de Redação consideram que – perante os factos graves que lhes foram transmitidos nos últimos dias – não se encontram reunidas as condições imprescindíveis para um desejável clima de tranquilidade e confiança entre todos os jornalistas da RTP”. Foi desta forma que o conselho de redação (CR) informou, ontem, os jornalistas do canal público de que na próxima segunda-feira, dia 16 de dezembro, se realizará um plenário de jornalistas. 

A história assume contornos complexos, tendo já levado a direção de informação e a coordenadora do programa Sexta às 9, Sandra Felgueiras, ao Parlamento, onde foram questionadas pela Comissão de Cultura e Comunicação. Mas as razões que obrigaram o CR a fazer o referido comunicado configuram um outro patamar de gravidade.

Vamos aos factos. Chamada a depor no CR – onde Maria Flor Pedroso, diretora de informação, tem lugar por inerência –, a equipa de Sandra Felgueiras acusou a direção da RTPde ter boicotado uma investigação que envolve a própria Maria Flor Pedroso. E é por isso que o CR escreveu no comunicado: “Por considerarem que a gravidade dos acontecimentos revelados obriga à auscultação de todos os elementos da Redação – os Membros Eleitos do Conselho de Redação convocam” os jornalistas para o plenário de segunda-feira. A ordem de trabalhos tem apenas um assunto: a “situação DI/Sexta às 9”.

E o que está em causa? A equipa do Sexta às 9 dedicava-se a investigar negócios menos claros da dona do Instituto Superior de Comunicação Empresarial (Iscem), Regina Moreira, organização onde Maria Flor Pedroso lecionava. Apontavam-se várias irregularidades à responsável, desde logo a venda do edifício e a alegada cobrança indevida de dinheiro aos alunos que transitariam para outros estabelecimentos de ensino, já que o Iscem tinha sido encerrado por determinação do Ministério da Educação.

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