Opiniao

A carochinha e o João Ratão

Interessante, muito interessante mesmo, este momento. O ministro das Finanças fez um retiro, escondeu-se do mundo, emudeceu.
O governo apresenta as grandes linhas do orçamento. Ambiciosas, com superavit e crescimento.
A partir daqui joga-se a encenação do costume.
O BE modera as exigências elevando a voz.
O PCP previne com suavidade.
O governo da região autónoma da Madeira é chamado à conversa e pretende claramente três grandes e pesados compromissos.
Os outros atores todos são mais ou menos irrelevantes.
Com quem vai casar a Carochinha?
O facto é que um considerável número de esquecidos, humilhados e ofendidos reivindica muito.
Tanto que é claramente incomportável.
Os funcionários públicos desesperam, os professores, em particular, aquecem os motores da contestação, a classe média começa a ganhar verdadeira consciência de classe.
Sentem que têm sido entretidos com canções de embalar.
Não espanta, pois, o surgimento de vozes radicais da direita ou da esquerda prontas a romper com a tranquilidade até agora mantida.
É o momento da verdade.

O ministro das Finanças fechado no armário, por conveniência, deverá estar arrependido de não ter tomado antes a decisão óbvia.
Se, em vez de aceitar uma candidatura diminuída e ser chamado a fazer um glorioso discurso eleitoral, não tinha sido melhor sair em alta, no fim do seu mandato.
A partir de agora, tudo só pode ser pior.
Satisfazer mais reivindicações significará aumentar ainda mais os impostos e atingir mais contribuintes. Tratar rendimentos em conjunto no IRS, ou retomar o imposto sucessório, ou inventar novas taxas a coberto do ambiente começa a ser proibitivamente escandaloso.
Um socialista atento e desalinhado denunciou isso na passada semana com um termo certeiro.

Ser esmifrado até ao tutano é mais do que uma constatação, é um estado de alma.
Jogando em antecipação, o primeiro dos ministros chama a si a iniciativa do fogo fátuo.
A ideia de implicar a União Europeia na controlada redução do IVA é uma invenção extraordinária.
Se aceite revelaria mais uma distorção em relação ao IRS. É o mesmo princípio da taxa moderadora, quem mais consome, mais paga.
Mas, para ser aprovada, necessitaria de reinterpretar os princípios do IVA. Logo, o mais provável será a sua recusa.
Isto é, não pode evitar a formação de uma maioria pela redução da taxa na votação do orçamento.
Não é, verdadeiramente, solução. É a resposta criativa.
Não convence.
Portanto, resta a saída de investir na saúde os ganhos.
Ninguém poderá recusar.

Nebulosamente, sem saber exatamente quanto em infraestruturas e em pessoal, alinhando em dois anos e na esperança dos seguintes.
Enfim, oitocentos milhões são oitocentos milhões mesmo que a maior parte seja para pagar dívidas.
Com duas consequências: o Bloco sente-se escolhido, a Madeira vai ser acusada de pedir demais.
Corresponde à teoria desenvolvida pelo Dr. Louçã. Com estes nunca, com os outros sempre.
Timidamente, o ministro Centeno poderá deitar a cabeça de fora. Sem abusar…
Alguém intervém a deitar a bênção.
Moral da história: Continua a ser muito importante, além de atual, a estrela de Belém.
Eu bem dizia…