Conta Corrente

A Europa e o Portugal do PR

"É necessário que o seu Exemplo, no seu próprio país, seja reconhecido. E o Senhor não tem, internamente, a base necessária para o sucesso".

Ao fim de longos anos de travessia do deserto quanto à produção ideológica, cultural e mental da elite política nacional, patenteada nas sempre toscas declarações públicas de governantes, nos debates parlamentares do tipo jardim de infância, pautados pelas queixinhas dos meninos e meninas pelas maldades recíprocas, pelos debates partidários/’programáticos’ sem visão nem estratégia e pelo miserabilismo de uma comunicação social circense, ao fim de tantos anos, dizíamos, saboreámos o oásis pleno de elevação, profundidade e patriotismo da intervenção do Presidente da República num debate organizado pelo Jornal de Notícias sobre Europa, para onde vamos?

Não é possível fazer aqui um resumo dessa intervenção; no entanto, permito-me recomendar a todos os leitores a visualização atenta e concentrada dessa intervenção, a partir do site do JN na internet. 

O PR, para além de uma correta análise-diagnóstico dos principais (estruturais-vitais) problemas da UE, avançou mesmo para o esboço de um Programa para evitar o seu colapso-desagregação a curto-médio prazo e para a sua efetiva consolidação como projeto de Futuro.

Em primeiro lugar, mostrando que ou a UE se constitui numa Pátria para todos os povos da Europa (desenvolvimento, emprego, inclusão social, solidariedade entre países e povos) ou caminhará para a desagregação; em segundo lugar, que a UE não poderá continuar a permitir que as suas opções internas e externas sejam condicionadas pelos seu aliados (mesmo que ‘próximos’), de modo a que se transforme numa potência com um papel positivo no mundo, a favor da paz e do desenvolvimento global; em lugar, que os sistemas políticos nacionais e europeus se tornem credíveis perante as populações.

Sr. Presidente: permita-me dizer-lhe que, na minha opinião, esse seu ‘programa’ só será viável se a sua Autoridade reconhecida pelos dirigentes dos diversos países europeus for substancialmente reforçada. Não basta, por isso, que ‘lhes faça a cabeça’ em múltiplas visitas e contatos. É necessário que o seu Exemplo, no seu próprio país, seja reconhecido. E o Senhor não tem, internamente, a base necessária para o sucesso. Para isso, terá de contar com uma ‘base de apoio própria’, que ultrapasse e menorize o impacto soa atuais partidos políticos, controlados, por dentro, no essencial, por forças anti-patrióticas e anti-europeias (mais servos do ‘exterior’ e dos ‘aliados’ do que elementos de fortaleza patriótica e europeia).

A EU nunca será ‘a Europa’ enquanto estiver ocupada por forças militares estrangeiras como são as forças ‘americanas e aliadas’ na Europa; aquelas mesmas que querem que a Europa se destrua numa guerra com a Rússia e que dão ordens e aplicam sanções às empresas que participem na construção do gasoduto Nord Stream 2 (se a Alemanha é tratada como colónia, para onde vamos?

É preciso falar com a Rússia, nossa irmã europeia, humanista e cristã, e não andar a reboque dos EUA.
Sr. Presidente: Tem toda a razão, uma Razão Profunda, quando afirma que ‘Portugal não se esgota na Europa’ e que haverá que construir Pátria com base na Língua Portuguesa. Mas não tem quase ninguém (institucional) que o siga!... Nos Partidos, nos Governos, nas instituições de segurança, no empresariado, na comunicação social (talvez o JN para o ano)…

Eu diria mais, Sr. Presidente, que enquanto não tivermos desenvolvida essa nossa vocação antiga (temperada pelos ‘bons princípios’ e a honestidade) teremos de ‘manter a cabeça baixa’ nessa europa (com e pequeno) que nos impõe bitolas para as maçãs e a quem temos de pedir autorização para diminuir o IVA da eletricidade; aquela europinha sacana que faz off shores para as empresas em Portugal fugirem ao fisco; aquela europinha sacana que nos impõe as ‘contas certas’ e que permite elevados excedentes a outros… (É como se, agora, no quadro de uma qualquer regionalização, por exemplo, Lisboa e o Porto exigissem a todas as províncias deprimidas que vivessem com ‘contas certas’, a partir dos rendimentos próprios (bem curtos), e se aboletassem com todos os ‘excedentes’ nacionais. Sim, é uma Europa assim que atualmente existe; e nós, todos contentes, com as ‘contas certas’…)