Economia

Banca lucra quase 5,3 milhões por dia em 2019

Os quatro maiores bancos apresentaram juntos 1,9 mil milhões de euros. Com a exceção do BPI, todos os outros apresentaram os melhores resultados dos últimos anos. 

Os quatro maiores bancos – BCP, BPI, Caixa Geral de Depósitos e Santander Totta – só no ano passado lucraram juntos mais de 1,9 mil milhões de euros. Dividindo o valor total pelos 365 dias por ano chega-se à conclusão de que, em média, as quatro instituições financeiras lucraram mais de 5,2 milhões de euros por dia. Estes resultados mantém a trajetória que já tinha sido alcançada em 2018, altura em que os lucros rondaram os 1,7 mil milhões de euros e bem longe do cenário de 2017, cujos lucros tinham-se fixado em apenas 684,5 milhões de euros, no total do ano. Com a exceção do BPI, que viu os seus resultados a cair, todos os outros falam de melhor resultados dos últimos anos.
O campeão dos resultados foi a  Caixa Geral de Depósitos (CGD) ao apresentar um lucro de 776 milhões de euros, no ano passado. Este valor representa um aumento de 280 milhões de euros face a 2018. Trata-se do melhor resultado em 12 anos, altura em que a instituição financeira atingiu um resultado líquido de 856 milhões de euros. 

No entanto, o banco liderado por Paulo Macedo lembra que «o resultado extraordinário de 144 milhões de euros está relacionado com o processo de venda das subsidiárias internacionais sendo, maioritariamente, decorrente da reversão de imparidades constituídas em 2017». Em causa estão as vendas do Banco Caixa Geral (Espanha) e do Mercantile (África do Sul).

Há mais dois processos em curso: no Brasil, cujo vencedor entre o Banco Luso-Brasileiro, do grupo Amorim, o Banco ABC Brasil e o fundo Artesia será conhecido até final de fevereiro; e em Cabo Verde, nomeadamente o Banco Comercial do Atlântico. O impacto destas vendas só deverá ter reflexos nas contas de 2020.

A atividade em Portugal foi a que mais contribuiu para este resultado ao apresentar um lucro de 449 milhões de euros, o que representou uma subida de 108 milhões de euros (+48%) face a 2018, enquanto os restantes 183 milhões de euros dizem respeito à atividade internacional (+19%). 

A carteira de crédito a clientes totalizou 47.974 milhões de euros em termos líquidos, o que correspondeu a uma redução de 6,2% face ao final de 2018. Relativamente à nova produção de crédito, merece particular destaque o aumento na produção de crédito à habitação em Portugal que no final de 2019 totalizou 2.073 milhões de euros, mais 514 milhões de euros que em dezembro de 2018, (+33%).

Mais de 500 milhões
Logo a seguir surgiu o Santander Totta ao registar lucros de 527,3 milhões de euros em 2019. Este valor representa um aumento de 5,5% face aos 500 milhões de euros registados no ano passado. «Terminámos o exercício de 2019 com o melhor resultado de sempre gerado em Portugal. Este crescimento é fruto da estratégia definida de sermos o melhor banco a atuar no país», disse a instituição financeira liderada por Pedro Castro e Almeida. 

Os recursos de clientes totalizaram 42,5 mil milhões de euros, representando um crescimento de 6,1% face ao mesmo período do ano passado, decorrendo dos acréscimos de 5,2% em depósitos e de 10,6% em recursos fora de balanço.
Já em termos de crédito a clientes, ascendeu a 40 mil milhões de euros em 2019, uma redução de 1% face a 2018, uma mudança que o banco atribui à «gestão das carteiras não produtivas», já que «excluindo este efeito, a carteira de crédito teria ficado praticamente inalterada».

A margem financeira totalizou 855,8 milhões de euros, o que representa uma redução de 1,2% em termos homólogos, «refletindo o atual contexto económico e competitivo, caracterizado por uma elevada pressão concorrencial sobre os preços num quadro de baixas taxas de juro e de procura moderada de crédito». 

Mais de 300 milhões
O  BCP apresentou lucros de 302 milhões de euros em 2019, «impulsionado pela expansão dos proveitos core em 6,9% e pela redução das imparidades e provisões em 9,9% face ao ano anterior», revelou a instituição financeira liderada por Miguel Maya. Trata-se dos melhores resultados desde 2007.

O resultado inclui o impacto negativo de 66,4 milhões de euros considerados itens específicos, referentes a custos de reestruturação e compensação pelo ajuste temporário dos salários reconhecidos na atividade em Portugal e os custos suportados com a aquisição, fusão e integração do Euro Bank S.A., reconhecidos pela subsidiária polaca. No entanto, o banco lembra que, em 2018, o impacto, também negativo, dos itens específicos, totalizou 29,4 milhões de euros, referentes a custos de reestruturação e ao projeto de transformação digital em curso, ambos na atividade em Portugal.
Na atividade em Portugal, o resultado líquido de 2019 alcançou os 144,8 milhões de euros, evidenciando um crescimento de 25,4% face aos 115,5 milhões de euros apurados em 2018, fortemente influenciado pela diminuição significativa das necessidades de provisionamento, sobretudo do crédito, beneficiando também, embora de forma menos expressiva, do aumento dos resultados em operações financeiras. Esta evolução favorável do resultado líquido da atividade em Portugal foi atenuada pelo acréscimo dos custos operacionais e pelo impacto fiscal associado essencialmente ao cenário de taxas de juro.

Na atividade internacional, o resultado líquido totalizou 143,8 milhões de euros em 2019. «Excluindo os itens específicos, relacionados com os custos suportados com a aquisição, fusão e integração do Euro Bank S.A. anteriormente referidos, o resultado core da atividade internacional cresceu 15,3%, de 443,1 milhões de euros em 2018 para 510,8 milhões de euros em 2019, beneficiando de uma evolução muito positiva dos proveitos core, em especial da margem financeira, que superou em larga medida o aumento verificado nos custos operacionais», acrescentando que «o desempenho da atividade internacional, em 2019, foi determinado pelo menor contributo da operação polaca, condicionado pelo impacto resultante dos custos associados à integração do Euro Bank S.A».

Contraciclo
A contrariar esta tendência está o BPI ao registar um lucro de 328 milhões em 2019, uma quebra de 33% face ao lucro de 490,6 milhões de euros obtido em 2018. No entanto, a atividade em Portugal gerou um resultado de 231 milhões de euros, o que representou uma subida de 13 milhões de euros «suportado pela melhoria no produto bancário comercial e pelo impacto positivo da nova produção de crédito habitação e para empresas», explicou a instituição financeira liderada por Pablo Forero, lembrando que, no ano passado, foram vendidos 221 milhões de euros de créditos não produtivos e ativos imobiliários no 4º trimestre, com um impacto positivo de 24 milhões de euros no resultado antes de impostos.

O contributo do Banco Fomento Angola – detido em 48,1% pelo BPI e controlado maioritariamente pela Unitel – para o lucro consolidado de 2019 ascendeu a 78,9 milhões de euros, enquanto o BCI, em Moçambique, contribuiu com 18,7 milhões de euros. 

Os depósitos de clientes que aumentam 1.599 milhões de euros (+7,6% face a dezembro de 2018) e os seguros de capitalização registaram um crescimento de 10,8%. Já a carteira de crédito total aumenta 1033 milhões de euros, atingindo uma quota de mercado de 10,2% em outubro de 2019. Por seu lado, a carteira de crédito a empresas cresce 433 milhões de euros no ano, enquanto a produção de crédito hipotecário registou um aumento de 13% para 1 453 milhões de euros em 2019.