Opinião

Avante para Fátima

Hoje, dia 13 de Maio, o Santuário de Fátima está cercado pelas forças da ordem, apostadas em não permitir que nenhum perigoso peregrino procure furar a barreira de segurança e penetre naquelas instalações, com as consequências necessariamente desastrosas para saúde pública daí resultantes.

O decisor político, temente das falanges de fanáticos e suicidas católicos que se preparavam para invadir aquele recinto religioso, não quis arriscar que a vida dos portugueses pudesse ser posta em causa por via de um tresloucado acto daquela natureza, pelo que entendeu por bem cortar o mal pela raiz, enviando para Fátima, rapidamente e em força, um dispositivo suficientemente robusto para reprimir a ameaça latente.

Tudo leva a crer, no entanto, que os políticos que se decidiram por esta radical decisão tenham sido toldados pela ignorância, pois terão confundido Fátima com Meca!

Os católicos não merecem ser confundidos com os intolerantes que minam a credibilidade de outras confissões religiosas, razão pela qual o simples sentido de responsabilidade da hierarquia da Igreja, ao cancelar a presença de público nas cerimónias de aniversário das Aparições, deveria ter sido entendido como bastante para que o erário não fosse penalizado através de gastos excessivos com movimentações policiais.

Mas a preocupação que o Estado demonstrou ter para com a saúde dos portugueses, sitiando Fátima, esgota-se quando se confronta com a vontade dos comunistas em ignorar o sacrifício que a todo um povo foi exigido, passeando-se livremente em condições proibidas aos restantes.

Assim que o governo tornou pública a deliberação de cancelar todos os festivais de música até meados de Setembro, o líder comunista veio de imediato procurar tomar-nos a todos por parvos, ao alegar que a festa do avante não se enquadra na categoria daqueles festivais.

Não demorou muito tempo até que a ministra que diz tutelar a cultura tenha vindo a terreiro abrir uma porta para a realização da festarola do partido comunista, admitindo uma eventual excepção para aquele evento.

Pouco depois foi a vez de Costa corroborar as palavras da sua ministra, assegurando aos comunistas não lhe passar pela cabeça proibir a prática de actividades políticas.

Se na mente de alguém mais distraído ainda subsistissem dúvidas de que este País está, desde há cinco anos, refém da extrema-esquerda, certamente que agora terão ficado definitivamente dissipadas.

Costa precisa dos marxistas-leninistas para continuar a alimentar a sua sede de ambição pelo poder, pelo que lhes vai satisfazendo todos os caprichos como contrapartida para manter o apoio destes adoradores de Lenine.

Mas o mais extraordinário foi o argumento utilizado por Costa para se render à chantagem vinda da Soeiro Pereira Gomes. Em entrevista ao Porto Canal encantou-nos com esta parábola:

“Não há nada que permita na Constituição, na lei ou onde quer que seja a proibição do exercício de actividades políticas”.

Mas será que a Constituição, ou qualquer outra lei, permite a proibição do exercício de actividades religiosas?

Ou de se atravessar a fronteira entre dois concelhos para se ir visitar quem nos deu ao mundo no Dia da Mãe?

Ou de se ir aos lares prestar apoio aos familiares mais idosos que lá se encontram em completa reclusão?

Ou até de uma simples ida à praia para se dar um mergulho no mar?

Apesar de a Constituição não o permitir, o governo pode proibir os portugueses de saírem de casa, excluindo, no entanto, dessa imposição, quem alegue fazê-lo por motivos de carácter político!

No fundo, o que Costa nos quis dizer foi que os políticos, sobretudo se forem de esquerda, se constituem numa casta à parte e, como tal, não são abrangidos pelas regras legais aplicadas ao comum do cidadão.

Admirem-se, pois, de que os portugueses cada vez sintam maior desprezo pela classe política com que foram brindados e se afastem dos assuntos da governação, primando pela ausência quando chamados a votar nos seus alegados representantes.

Costa, para contornar a proibição imposta aos festivais de música, foi ainda mais longe na sua esperteza, ao alinhar na tese do seu camarada Jerónimo de que a festa do avante não é nada mais nem menos do que uma actividade política, razão pela qual qualquer músico pode livremente nela participar, tendo apenas o cuidado de discursar não a falar, mas sim a cantar!

E, temos que o reconhecer, há, na verdade, uma grande diferença entre os festivais de música agora cancelados e a festa do avante: enquanto que nos primeiros as receitas revertem para os promotores dos espectáculos, no outro vão direitinhas para os bolsos da nomenclatura comunista.

Confirma-se, assim, a natureza política daquele acto, pois trata-se, sobretudo, de uma recolha de fundos para a causa dos camaradas.

Nas comemorações do 1º de Maio veio o aviso: não se pode confiar em quem acredita na santidade de Lenine, atendendo a que o resultado de uma permissão inexplicável foi um amontoado de gente em pleno período de estado de emergência.

E o amigo do Costa já veio garantir que não serão acauteladas restrições no acesso às festividades do órgão oficial do partido comunista.

Vai ser tudo ao molho e fé em Deus, perdão, em Lenine!

PS: No meu anterior artigo publicado neste espaço, intitulado “Os filhos da mãe e os filhos de Lenine”, é óbvio que não confundi o fundador do estado soviético com aquele que lhe sucedeu.

Tem piada que uma certa esquerda, quando se vê impotente para contrariar argumentos dos quais discorda, recorre à distorção dos factos, procurando induzir em erro os mais desatentos.

Lenine, foi, indiscutivelmente, um dos governantes mais sanguinários que o mundo conheceu. Ordenou a chacina impiedosa dos derrotados na revolução bolchevique, no que foi um dos mais cruéis crimes de guerra de que há memória, e foi com ele que se iniciaram as purgas internas, com a eliminação física daqueles que ele considerou serem seus opositores.

Stalin, apesar de ter no seu currículo um número de assassinatos bem superior ao do seu antecessor, limitou-se a seguir o seu exemplo, continuando a ordenar homicídios em massa, apenas porque eram russos que pensavam de maneira diferente da sua.

Lenine foi o percursor da barbárie comunista, sendo por isso idolatrado pelos defensores da ditadura do proletariado, nos quais se incluem os que suportam o governo de Costa.

A verdade, reconheça-se, doí muito a quem se recusa a aceitá-la!