Sociedade

“O potencial pandémico é muito maior agora”

Na mesma semana, Pequim fechou bairros para travar uma segunda vaga. Portugal anunciou que vai receber a final da Champions. Especialistas sublinham que os tempos são incertos e a pandemia não acabou. A Champions pode abrir caixa de Pandora em termos de comunicação e aumentar o risco. E não será o único problema nos próximos meses.

O anúncio de que Portugal vai receber a final da Champions chegou numa altura de sinais contraditórios: na China, a revelação de um surto em Pequim com 100 casos depois de mais de 50 dias de zero infeções trouxe de novo o confinamento. Na Europa, os países reabrem-se ao turismo, com restrições e exclusões – com os turistas portugueses banidos de seis países. Entretanto, o Governo anunciou que Portugal ganhou a corrida da Champions e vai receber a final-8 em agosto. Sensato? Um sinal certo? Para os especialistas ouvidos pelo SOL, há um ponto assente: a acontecer, o evento não deverá ter público nos estádios – pelo risco acrescido e pela mensagem contraditória à população. Quanto ao resto, sublinham a incerteza e a necessidade de manter cuidados de higiene e distanciamento social. Numa altura em que o anúncio de um mega-evento – que colocará Portugal no centro da atenção mediática como o primeiro país a acolher uma prova desportiva internacional na era covid-19 –  pode ser lido como sinal de que a pandemia já passou, o alerta é esse mesmo: estamos no princípio.

 

Afinal o que se passa?

Pedro Simas, virologista e investigador do Instituto de Medicina Molecular, ajuda na análise. Como entender que Pequim feche à primeira centena de novos casos e Portugal mantenha a confiança com mais de 300 por dia? Para o investigador, a avaliação tem de ter em conta o contexto dos novos casos, o grau de reporte e a própria densidade populacional de Pequim. Defende, no entanto, que há uma lição a tirar do recrudescimento da epidemia na China ou de a própria Nova Zelândia ter registado esta semana novos casos depois de 24 dias sem infeções. «Controlámos o número de infecções como todos os países que fizeram lockdown, mas nenhum conseguiu controlar o vírus. Nem a Nova Zelândia conseguiu. Quer dizer que é muito difícil eliminar o vírus e vai ficar endémico. A população no mundo está maioritariamente susceptível, nós teremos 2% ou 3% de imunidade populacional, o vírus está em todo o lado, tem potencial pandémico, transmite-se pelo contacto próximo e direto entre as pessoas», sublinha. «Se aumentarmos o número de contactos próximos e diretos, aumentam os casos de infeção. Se aumentarem  muito as infeções, aumenta o número de casos de covid-19. E aumentar o número de casos de covid-19 vai aumentar o número de hospitalizações. Por isso é que isto tem de ser feito com muito equilíbrio e inteligência e tentar proteger ao máximo os grupos de risco».

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