Sociedade

Autocaravanas. Uma forma de viajar antiga cada vez mais na moda

A procura por autocaravanas ‘disparou’ este ano em Portugal. As limitações impostas às viagens levaram muitos a cancelarem os planos no estrangeiro, ficando por cá. O objetivo agora é ‘fugir’ às multidões e à própria realidade do quotidiano. Com segurança, mobilidade e total liberdade. Veja o especial que o SOL preparou sobre o tema.

 

Autocaravanas. Uma forma de viajar antiga cada vez mais na moda

Casas com rodas. A tendência das férias em tempos de pandemia
por João Amaral Santos

Segurança, mobilidade e liberdade. A pandemia alterou os hábitos dos portugueses, e também os critérios que definem as prioridades na hora de agendar as férias de verão. Este ano, a opção pelas autocaravanas tornou-se uma tendência natural que permite a famílias e amigos percorrerem o país de lés a lés, sem riscos, cumprindo as regras de higiene e de segurança indispensáveis – como o distanciamento social.

«Uma autocaravana é, no fundo, o prolongamento da nossa casa», diz-nos Paulo Moz Barbosa, presidente da Associação Autocaravanista de Portugal (CPA). E numa fase em que se exigem cautelas, são cada vez mais os que pretendem unir o melhor dos dois mundos, procurando lugares alternativos, mas ‘fugindo’, ao mesmo tempo, à presença de estranhos. É talvez por isso que o telefone da CPA se tem manifestado, nos últimos dias, com tanta impaciência; ou o número de associados (antes perto dos 10 mil) tem vindo a crescer a um ritmo tão elevado. Paulo Moz Barbosa conta-nos que «as empresas que vendem ou alugam autocaravanas não têm tido mãos a medir nesta fase». «E isso nota-se na nossa associação», acrescenta.

Este relato é, aliás, reforçado pelos últimos estudos divulgados pela plataforma de compra e venda OLX, onde se tem vindo a registar uma procura recorde por este tipo de veículos. Após o período de desconfinamento, em maio, a palavra «autocaravana» passou imediatamente a fazer parte do top 10 de palavras mais pesquisadas no site, ocupando o 9.º lugar. No que diz respeito à categoria de carros, as palavras «caravana» e «autocaravana» ocupam, neste momento, a 6.ª e 7.ª posições, respetivamente (quando esta última nem sequer fazia parte da lista antes do aparecimento da covid-19).

 

Viagens de Liberdade. Grandes aventuras de casa às costas
por Daniela Soares Ferreira

O ano é atípico e até o primeiro-ministro, António Costa, recomendou que os portugueses aproveitassem o país. E há melhor forma do que fazê-lo de casa às costas, com todas as comodidades necessárias? O autocaravanismo tem cada vez mais adeptos e há vários locais para conhecer. Sugestões como a Rota da Estrada Nacional 2 ou a Costa Vicentina são algumas das opções onde não faltarão paisagens de cortar a respiração ou gastronomia de ‘pedir e chorar por mais’.

António Costa aconselhou os portugueses a passarem férias cá dentro e, nesta senda, o autocaravanismo será, certamente uma opção diferente. Fazer uma viagem de autocaravana implica várias coisas além do gosto pela aventura. A preparação deve começar cedo e há vários detalhes a ter em conta, como o preço, o percursos, os locais de paragem... uma lista infindável, pode dizer-se. Mas já lá vamos. No fim, a experiência compensa e os amantes da modalidade não querem outra coisa. As vantagens, aliás, são algumas, mais que não seja poder respeitar a medida de segurança que mais se exige neste momento de pandemia: o distanciamento social.

Se tem tempo e gostaria de percorrer Portugal de norte a sul uma das melhores opções será a Rota da Estrada Nacional 2, aquela que é conhecida como a ‘nossa’ Route66. São 738 quilómetros entre Chaves e Faro na estrada mais longa de Portugal e também uma das mais extensas do mundo. E o melhor é que ao longo do percurso pode ver paisagens de cortar a respiração, provar os pratos típicos dos 35 municípios que fazem parte desta rota (ver mapa ao lado), usufruir de praias fluviais, visitar monumentos, fazer percursos pedestres... Só vantagens, não é?

 

Autocaravanas. As histórias de quem viaja em direção a um destino chamado liberdade
por Mariana Madrinha

Isabelle e Pedro não conseguiram casar-se devido à pandemia, mas assim que as fronteiras
abriram não hesitaram em cumprir a viagem de autocaravana que vinham planeando há anos. João_Ferreira e Mojca ligaram as capitais dos seus dois países também desta forma. E António Resende, experimentado autocaravanista, conta com um currículo de viagens invejável, no qual se inclui uma ida dupla à Guiné-Bissau.

Terça-feira, 30 de junho de 2020, pouco antes da meia-noite. A fronteira entre Portugal e Espanha estava prestes a abrir depois do fecho decretado pela inusitada pandemia que obrigou os muros de outrora a separarem fisicamente os dois países. Junto à fronteira, em Marvão, crescia uma espécie de nervoso miudinho não só nos responsáveis por executar a ordem de abertura como nos (poucos) cidadãos no local. Entre esses, contava-se uma família de três que desde o final da tarde esperava pela luz verde para passar para o outro lado. «Queríamos ser os primeiros a atravessar», conta Isabelle Nobre, 38 anos. Isabelle e o companheiro, Pedro Monteiro, também de 38 anos, e ainda a filha de ambos, Mariana, de quatro, não esperaram só algumas horas para seguir viagem na sua autocaravana Europa fora. Na verdade, esperavam desde março. Era essa a data que tinham marcado para o casamento, adiado devido ao surto.

Só que a pandemia trocou as voltas a esta família de aventureiros, que reside no oeste do país. «Inicialmente esta viagem estava prevista para março, após nos casarmos. Foram anos de planeamento. Tirámos uma licença sem vencimento e a ideia seria viajarmos por seis meses, com o objetivo de passarmos por 30 capitais europeias. A uma semana de tudo acontecer o covid congelou-nos os sonhos. Demos prazo máximo para julho. Caso abrissem as fronteiras até dia 15 de julho, seguiríamos na mesma a viagem», conta. Duas semanas antes da chegada da data que tinham definido como limite, eis que seguiram, esta semana, para a viagem que tinham planeado com tanto empenho e que lhes serviria de uma lua de mel prolongada.

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