Opiniao

O vírus político

Conforme é público, o ainda Presidente dos EUA esteve infectado com Covid-19, no início do passado mês de Outubro, recorrendo, então, a um tratamento com base num “cocktail” de anti-corpos produzido pela empresa de biotecnologia Regeneron.Como não poderia deixar de ser, de imediato caiu o “Carmo e a Trindade”, com políticos, médicos e cientistas, um pouco por todo o mundo, a acusarem Trump de irresponsabilidade 

Se dúvidas ainda persistissem sobre a politização da pandemia que por aí anda, em particular por parte da esquerda global, que dela se aproveitou para ganhos políticos, a recente derrota eleitoral de Trump veio a dissipá-las.

Conforme é público, o ainda Presidente dos EUA esteve infectado com Covid-19, no início do passado mês de Outubro, recorrendo, então, a um tratamento com base num “cocktail” de anti-corpos produzido pela empresa de biotecnologia Regeneron.

Como não poderia deixar de ser, de imediato caiu o “Carmo e a Trindade”, com políticos, médicos e cientistas, um pouco por todo o mundo, a acusarem Trump de irresponsabilidade e de fomentar a propagação do vírus, pela simples razão de procurar tratar-se com um medicamento não aprovado pela comunidade científica.

A imprensa globalista encarregou-se de servir de correia de transmissão de todos aqueles supostos sábios, veiculando os dados por estes fornecidos, os quais, alegadamente de forma unânime, desmentiam a eficácia daquele medicamento.

Invocaram-se, então, experiências levadas a cabo entre uma quantidade considerável de doentes infectados com o novo coronavírus, concluindo-se que aqueles enfermos não só não registaram melhoras, como, pelo contrário, viram agravadas as maleitas das quais padeciam.

Omitiu-se, no entanto, e muito convenientemente, que o medicamento em causa foi administrado apenas em infectados já em estado avançado, período no qual aquele tratamento já não produz efeitos positivos.

Bastou, no entanto, quase como que por milagre, que Trump tenha sido derrotado nas urnas, para que o medicamento que fora rejeitado pelos chamados especialistas passasse, de um momento para o outro, a ser não só eficaz no tratamento da Covid-19 como altamente recomendado.

No passado sábado a FDA (Administração de Alimentos e Drogas dos Estados Unidos), que se havia oposto à comercialização do fármaco da Regeneron, tendo criticado, na altura, a decisão presidencial de o utilizar, veio autorizar, e incentivar, o seu uso em maiores de 12 anos e que tenham apresentado resultados positivos no teste à Covid-19.

A FAD deu ainda a conhecer os estudo preliminares que vieram comprovar a eficácia daquele remédio na contenção da infecção, especialmente se administrado durante as fases iniciais da doença.

O comportamento da entidade reguladora da administração de fármacos nos EUA, bem como o de outras organizações, em particular a OMS, que igualmente nos procurou convencer da ineficácia daquele medicamento, revelou-se absolutamente criminoso, porque tudo valeu para desacreditar Trump, por forma a causar a sua derrota eleitoral, inclusive sacrificar  milhares de vidas humanas!

Sim, quantas vidas não se teriam perdido se a elas tivesse sido concedido este medicamento assim que apresentaram os primeiros sintomas do vírus?

A resposta, nunca a saberemos, porque quem teria obrigação de investigar estes factos vai-se, naturalmente, remeter ao silêncio, deixando passar incólumes os responsáveis por este bárbaro comportamento.

Mas a politização do vírus não se fica por aqui. Donald Trump prometeu, ainda antes da campanha eleitoral se iniciar, que os EUA disporiam de uma vacina até ao final do corrente ano.

Sacrilégio! Todos lhe caíram em cima, principalmente os democratas e o seu candidato presidencial, acusando-o de mentir aos norte-americanos, apenas com o propósito de cativar o seu voto.

Nessas acusações foram secundados, uma vez mais, pelos tais especialistas em saúde pública, os quais juraram que nunca antes do final de 2021 seria possível uma vacina eficaz, que pudesse controlar a propagação do vírus.

Trump não passava de um reles mentiroso, que se servia do sofrimento alheio para daí obter dividendos políticos.

Nos últimos dias fomos testemunhas de mais um milagre.

Como que por magia, do nada surgiram várias vacinas com uma pretensa eficácia a rondar um número superior aos 90% e prontas a serem administradas ainda no decorrer de Dezembro próximo.

Duas delas, as da Pfizar e da Moderna, obtidas através de um consórcio maioritariamente norte-americano.

O desaire de Trump teve esse imediato efeito, o de desbloquear os neurónios dos génios empenhados em produzir uma vacina, que estavam, ao que parece, incapazes de encontrarem uma solução para a colocar no mercado no prazo temporal de um ano, mas que de um dia para o outro concluíram o seu fabrico, certificando-a  para começar a ser distribuída desde já.

Uma das principais armas de arremesso utilizada durante todo o período eleitoral, cujo propósito visava fragilizar a credibilidade de Trump, relacionou-se com a gestão da pandemia, criticando-se a vontade do inquilino da Casa Branca em acabar com os confinamentos.

Biden repetiu até à exaustão que o seu adversário deveria ser responsabilizado pela morte de 200 mil concidadãos, pela simples razão de advogar o direito deles a saírem de casa e irem trabalhar.

Prometeu, caso fosse eleito, reverter essa intenção, apregoando o primado da saúde sobre a economia para justificar a permanência das pessoas no interior das suas habitações.

Pois agora que viu confirmada a sua vitória, e quando faltam ainda dois meses para a sua tomada de posse, veio a público garantir que com ele não haverá novo confinamento!

A sua escola, está visto, é a do clássico político da actualidade: o que se promete em campanha eleitoral é o oposto do que se implementa, uma vez conquistado o poder.

Trump é, indiscutivelmente, um arrogante mal-educado, deselegante e com um ego do tamanho do universo.

Foram essas depreciativas características, a par da falta de tacto no modo como enfrentou a pandemia, que estiveram na génese da sua derrota, porque em termos económicos e sociais os norte-americanos apreciaram a sua presidência.

No entanto, e há que o reconhecer, esforçou-se por cumprir todas as promessas que proferiu em campanha, incluindo as mais polémicas, somente não tendo conseguido concretizar algumas pela razão dos republicanos terem perdido o controle da Câmara dos Representantes.

Quanto a Biden, estamos esclarecidos quanto ao que se espera: a sua agenda estará a léguas do programa sufragado por aqueles que nele votaram!

 

Pedro Ochôa