Sociedade

Covid-19: Plano de vacinação revelado quinta-feira e adeus passagem de ano

O anúncio vai ser feito quinta-feira a partir das 10h da manhã e vai ser transmitido online

O plano de vacinação contra a covid-19 vai ser apresentado já quinta-feira na reunião do Infarmed, anunciou António Costa. O plano está a ser organizado por uma task force coordenada pelo ex-secretário de estado Francisco Ramos, que vai ser recebida hoje pelo primeiro-ministro na sua residência oficial. Além da equipa que está a elaborar o plano vão estar ainda presentes na reunião os ministros de Estado e da Presidência, Mariana Vieira da Silva, da Saúde, Marta Temido, da Administração Interna, Eduardo Cabrita, e da Defesa Nacional, João Gomes Cravinho, assim como o secretário de Estado Adjunto do primeiro-ministro, Tiago Antunes.

O primeiro-ministro recusa o atraso de Portugal em relação a outros países no que a vacinar a sua população diz respeito.

Na sexta-feira, o Presidente da República falará ao país no âmbito do prolongamento do estado de emergência. Marcelo Rebelo de Sousa pretende não só falar sobre o novo estado de emergência, como definir já o próximo - que se deverá prolongar de 21 de dezembro a 04 de janeiro. Com esta medida inovadora, o Presidente da República, quer dar margem ao Governo para definir as regras e restrições para o período da semana do Natal e do Ano Novo o quanto antes. Marcelo já tinha referido a sua posição quanto a esse assunto, referindo que considera ser “de bom senso que os portugueses saibam antecipadamente como podem organizar aquele fim de semana de 24, 25, 26 e 27 de dezembro”.

Além de abrir espaço para que o Governo possa decidir as medidas para o período festivo com mais antecedência, o Presidente da República fica assim com uma maior liberdade para planear o anúncio da sua recandidatura, que deverá acontecer até meados de dezembro.

No sábado, António Costa vai anunciar as medidas para a época festiva, mas apesar de querer possibilitar um “Natal com as melhores condições possíveis”, o primeiro-ministro avisou em entrevista à Rádio Observador que “a passagem do ano vai ter todas as restrições porque aí não pode haver qualquer tipo de tolerância”

O balanço

Faz quarta-feira, dia 2 de dezembro, nove meses que apareceram as primeiras infeções por covid-19 em Portugal. Um dos portadores era um médico de 60 anos, que tinha regressado do Norte de Itália e foi imediatamente internado. O outro era um homem de 33 anos que tinha estado em Valência. 16 dias depois, a 18 de março, estava a ser declarado o primeiro estado de emergência na história da democracia portuguesa, que entrou em vigor na segunda-feira seguinte, 22 de março, e durou até dia 2 de maio. Entretanto, 300.462 portugueses foram infetados e 4577 morreram.

O mês de novembro foi aquele que contabilizou mais novos casos - 149 345 - e mais mortes - 1961. Até agora, o recorde pertencia ao mês de abril, em que se tinham registado 820 mortes, menos de metade das que se verificaram no mês que agora terminou. A região do Norte continua a registar a maior parte dos novos casos de infeção e também de mortes, sendo que registou, nos últimos 15 dias, uma média de 1000 casos por 100 mil habitantes, mais do dobro dos números observados na Área Metropolitana da Lisboa. A zona mais afetada tinha sido, até agora, a do Vale do Sousa e baixo Tâmega. No entanto, neste momento, o concelho que se encontra com um maior risco de infeção é o de Freixo de Espada a Cinta com 3153 casos por 100 mil habitantes.

Por outro lado, a pandemia dá sinais de abrandamento e, de acordo com as projeções da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, o pico da segunda onda ocorreu na semana passada. As previsões do relatório do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, apontavam para que ontem existisse um total 681 doentes internados nas Unidades de Cuidados Intensivos. No entanto, o relatório da DGS mostrou que o valor era de 521, menos 4 pessoas do que na segunda-feira. Também os internamentos gerais diminuíram, com menos 67 casos do que os registados segunda-feira.

Portugal regista 50 municípios com risco extremamente elevado de transmissão, o que significa que existem mais de 960 casos por cada 100 mil habitantes.

De acordo com o boletim divulgado esta terça-feira pela Direção-Geral da Saúde, o país tinha mais 75 mil casos ativos, sendo que 2401 foram novos casos. Este é o número mais baixo registado desde o dia 20 de outubro. Fazendo uma análise desde o primeiro caso de pandemia registado em Portugal, o país já viu 2,9% da sua população infetada, o que equivale a 300 462 casos positivos.