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Salvar a restauração em Lisboa (e o comércio e a cultura)

As manifestações de preocupação e até de angústia que aconteceram em Lisboa têm impacto pela forma utilizada e por acontecerem na capital. Tem havido excesso nos métodos e até na linguagem. Mas é certo que o desespero de cada pessoa deve fazer ter compreensão.

restauração, o comércio, as atividades culturais e o turismo, que dinamizou e alimenta estes setores, são importantes para o emprego e para a economia. Mas os restaurantes, as lojas e os espetáculos fazem os nossos dias mais felizes.

As manifestações de preocupação e até de angústia que aconteceram em Lisboa têm impacto pela forma utilizada e por acontecerem na capital. Tem havido excesso nos métodos e até na linguagem. Mas é certo que o desespero de cada pessoa deve fazer ter compreensão.

Em Lisboa, quem conhece e gosta da cidade, compreende melhor o significado deste desespero porque também sente as consequências da crise que se vive nestes setores. Para os próprios é um problema financeiro, mas para todos os lisboetas é parte da identidade e da vida da cidade que se está a perder.

Ninguém, em Lisboa, neste período de restrições, deixou de notar que a cidade tem menos movimento, que muitos restaurantes perderam clientes, que muitas lojas (especialmente na Baixa) encerraram e que o movimento e a animação incentivados pelo turismo já não se observam. Lisboa está mais pobre, mas, sobretudo, está mais triste.

As diferentes perceções sobre as consequências da pandemia nos setores da restauração, comércio, cultura e turismo não são indiferentes à proximidade dos impactos provocados. Quem está mais próximo conhece melhor. A diferença de disponibilidade entre o Governo e o presidente da Câmara Municipal de Lisboa para receber os empresários da restauração em greve da fome não é indiferente ao conhecimento mais próximo da relevância deste setor para a economia local (mas, consequentemente, para a nacional) e para o dinamismo da cidade.

Para além da importância para o emprego e para a economia, os setores da restauração, do comércio e da cultura são parte da identidade de Lisboa, mas são também meios para a promoção da reunião de pessoas, do convívio e do prazer. São instrumentos de felicidade.

Este entendimento é necessário para compreender a importância de não deixar morrer estes setores que serão, depois da pandemia, plataformas privilegiadas para a recuperação, não só da economia, mas da vida e do prazer de a viver.

As iniciativas Públicas de apoio a estes setores são, por isso, estratégicas. Mas importa que sejam rápidas e efetivas. Por isso é importante a abertura para o diálogo e convergência com estes setores, de modo a que o esforço do Estado seja mais eficaz.

Este entendimento da urgência no apoio e na definição das respetivas soluções merece ser sublinhado na decisão unânime de todos os partidos na Câmara Municipal de Lisboa em construir e aprovar as medidas de auxílio a diversos setores da cidade. Esta convergência significa também uma maior exigência no escrutínio da sua adequação.

Porém, o impacto e as consequências da pandemia não terminam, tal como não termina a pandemia, com a vacina. Por isso importa não facilitar na vida e na necessidade mais prolongada de apoios para que não se deixe morrer a restauração, o comércio e a cultura. Os apoios definidos até ao final do primeiro trimestre serão insuficientes e era importante que houvesse maior longevidade, estabilidade e previsibilidade nos apoios.

Mas, sobretudo, importa compreender as alterações mais permanentes que decorrem das mudanças de vida das pessoas e antecipar a adaptação a essas mudanças que poderão ser mais perenes. Depois da pandemia, muitas coisas voltarão a ser como antes, mas outras ficarão alteradas. Os apoios devem também ajudar às adaptações necessárias.