À Esquerda e à Direita

O Natal, o coelho e Cavaco ao ataque

Foi o suficiente para muitos pedirem a  demissão de Rui Portugal, que apenas divertiu o país nesta época natalícia, fazendo recordar o célebre anúncio do coelhinho que vai com o Pai Natal ao circo.

1. Um dos vídeos mais divertidos que circularam esta semana nas redes sociais diz respeito ao discurso de Rui Portugal, subdiretor da DGS, onde fazia recomendações sobre o Natal. O médico, com um tom de voz hilariante, não disse nenhum disparate, mas a sua entoação fez rir muito boa gente. Foi o suficiente para muitos pedirem a  demissão de Rui Portugal, que apenas divertiu o país nesta época natalícia, fazendo recordar o célebre anúncio do coelhinho que vai com o Pai Natal ao circo.

2. Continuando em assuntos que não fazem mal ao mundo, mas que são surpreendentes: a proposta de Cristina Rodrigues, deputada não inscrita, que entende que é «urgente a criação de um Grupo de Trabalho para dar resposta ao crescente conflito entre gaivotas e humanos, que reúna entidades e organizações da sociedade civil» também me fez rir imenso. Quando o mundo está como está, a antiga deputada do PAN quer tratar da relação gaivotas-humanos. Não podemos deixar de achar insólita esta posição.

3. Mais surpresas, embora estas com veneno à mistura. Cavaco Silva, que está um verdadeiro avô traquinas, deu uma entrevista ao Observador e não deixou de dar as suas bicadas em Marcelo Rebelo de Sousa e no Governo.  Além da sua análise económica arrasadora para o Governo – «de acordo com um estudo do Banco de Portugal publicado no fim do ano passado, o rendimento per capita dos portugueses em 2018 era inferior àquele que deixei em 1995 quando eu era primeiro-ministro» –,  Cavaco não deixou de relembrar o que se tem passado no campo da Justiça, onde o Presidente e o primeiro-ministro têm andado de braço dado. Falando no trabalho notável de Joana Marques Vidal à frente da procuradoria-geral da República, o antigo líder do PSD perdeu a oportunidade para dizer de sua justiça sobre a não recondução do presidente do Tribunal de Contas. «Quero dizer-lhe que o presidente do Tribunal de Contas que foi afastado, o juiz-conselheiro Vítor Caldeira, foi por mim condecorado com uma das condecorações mais altas que existem em Portugal, a Grande Cruz da Ordem Militar – a mesma que se dá aos primeiros-ministros. Não o conhecia. E porque é que o fiz? Porque ele tinha sido o presidente do Tribunal de Contas europeu, eleito três vezes para aquele cargo». Por essa razão, Cavaco aplaudiu quando António Costa propôs Vítor Caldeira para presidente do Tribunal de Contas português. O resto é o que se sabe.

4. Quem também saiu do anonimato a que se tinha votado, foi outro antigo líder  do PSD. Passos Coelho voltou e, à semelhança de Cavaco, bateu forte e feio na solução encontrada pelo Governo para a TAP. O antigo primeiro-ministro também não teve mão leve para bater no Executivo de António Costa devido ao escândalo no SEF. Quem deve ter ficado amuado deve ter sido Rui Rio, que viu dois antigos líderes do PSD fazerem verdadeira oposição. Mas, como sabemos, Rui Rio convive muito mal com a independência da Justiça e jamais seria capaz de fazer uma crítica semelhante à de Cavaco Silva. Acredito que muitos dos militantes laranjas devem suspirar pelo regresso de Passos Coelho...

5. Para provar que o mundo já não é o que era, o Governo do Partido Socialista decidiu nomear para diretor do SEF um antigo comandante-geral da GNR. Não conheço o militar em questão, mas não foi há muitos anos que o PS_se gabou de ter acabado com os comandantes-gerais na PSP provenientes do Exército. O último que ocupou o lugar foi o general Gabriel Teixeira. Quem diria que o PS agora entende que os militares são o melhor para estarem à frente de uma força policial civil?

6. O que dizer da France Football ter deixado o nosso Eusébio de fora de três das melhores seleções de todos os tempos? Ronaldo ficou na melhor, o Pantera Negra – será que ainda se pode chamar assim? – nem na terceira.

vitor.rainho@sol.pt