Marketing

Confinamento: 2ª temporada

Também a empatia assume contornos importantes na atuação das marcas quando tantos estão a sofrer a diferentes níveis as consequências desta pandemia, qual o tom que a marca deve adotar? qual a melhor mensagem para garantir relevância mas acima de tudo uma ligação real com o mundo? Como deve a marca entrar nos novos rituais e manter os velhos na procura constante de levar mais a quem os segue e a persistir com o negócio numa época tão complicada?

Agora que o país está a braços com um novo confinamento geral (muito parecido com o de março ainda que com escolas abertas e mais algumas alterações) vemo-nos de novo numa situação de desconexão do mundo, à qual se calhar não considerávamos voltar nestes termos.

Já sabemos ao que vamos, e isso tem um lado positivo, mas também já não vamos com a motivação da novidade, surpresa e missão que tínhamos em março ainda que o objetivo maior seja tão ou mais importante que em março.

E chegados aqui será que as marcas aprenderam e sabem agora reagir ainda melhor a este lockdown? A adaptação das marcas e das suas estratégias foi imensa e louvável – umas melhores que outras obviamente – e foi tema aqui debatido ao longo do ano, mas não deixa de ser interessante perceber o que vão fazer agora neste novo/velho contexto.

Algumas tendências, antecipadas pela Ford para 2021, já indicavam o caminho e refletiam muito do impacto da pandemia no comportamento do consumidor. Tendências às quais as marcas já estavam atentas, delineando planos para ir ao encontro da expectativa dos seus consumidores.

Pegando nessas tendências percebemos que a desconexão que ocorre com o recolher e isolamento lança um importante desafio às marcas de como se ligarem verdadeiramente com a sua audiência. Se não pode ser na loja, nos eventos, nas ações especiais, terá que ser virtual, na customização do atendimento, na criação das novas experiências… um desafio que já existia e que se agudiza neste novo confinamento que agora começa.

Também a empatia assume contornos importantes na atuação das marcas quando tantos estão a sofrer a diferentes níveis as consequências desta pandemia, qual o tom que a marca deve adotar? qual a melhor mensagem para garantir relevância mas acima de tudo uma ligação real com o mundo? Como deve a marca entrar nos novos rituais e manter os velhos na procura constante de levar mais a quem os segue e a persistir com o negócio numa época tão complicada?

A par da desconexão e da empatia, é evidente que as pessoas passam muito mais tempo a olhar para ecrãs seja a trabalhar, a ver o mundo e a ligar-se à família, a entreter-se, a fazer compras… como devem as marcas aparecer neste ecrã? Qual o momento certo para aparecer e o que podemos acrescentar a esta experiência? Outro desafio que nas próximas semanas se torna tão real como nunca, ou melhor, como março de 2020.

As tendências já lá estavam, ainda antes de sabermos que íamos fechar outra vez, por isso acredito que nas próximas semanas as marcas darão resposta à altura deste novo momento. Agora mais preparadas e com o foco ainda mais afinado para o que de facto esperamos delas. E esperemos que com a mesma criatividade, inovação e ilusão que foram trazendo no primeiro confinamento, dando assim alento a todos..estejam ou não na linha da frente.

É altura de mais uma vez nos colocarmos à prova, enquanto indivíduos e enquanto sociedade, e é nesse caminho conjunto que podemos sair a ganhar.

Acreditemos com esperança que este é o princípio do fim e que as nossas marcas, produtos, serviços e negócios farão este caminho connosco na busca de um mundo mais ligado, empático, simpático e feliz.

*Diretora Criativa Havas Sports & Entertainment