Economia

Pandemia e moratórias pressionam banca

Fitch alerta que banca portuguesa será mais afetada pela crise em 2021.

A pandemia pressionou os resultados dos bancos, que se viram a braços com registos de imparidades, levando à queda dos resultados e até o grupo bancário espanhol Santander a fechar 2020 com um prejuízo histórico. A somar a isso há que contar ainda com as moratórias – uma situação que já levou a agência de notação Fitch a garantir que as provisões para o fim deste regime vão pesar nas contas da banca portuguesa. «Prevemos que 2021 seja um ano fraco para a banca portuguesa, nalguns casos até pior que 2020», afirmou Rafael Quina, analista da Fitch e diretor de análise para instituições financeiras. «No que diz respeito à rentabilidade, 2020 já foi fraco. 2021 não parece particularmente brilhante. Não esperamos uma recuperação dos lucros e esperamos que as provisões continuem a aumentar no segundo semestre, à medida que os bancos preparam o fim das moratórias».

Apesar de quase ainda não serem conhecidos os resultados da banca, os que foram revelados não são animadores. O grupo Santander apresentou perdas de 8771 milhões de euros em 2020, o que contrasta com o lucro de 6515 milhões de euros registados em 2019. A instituição financeira explica que este valor foi alcançado depois de aumentar as provisões para enfrentar a crise provocada pela covid-19 e de encaixar uma diminuição de 12 173 milhões no valor das suas filiais no Reino Unido, nos Estados Unidos e na Polónia. Excluindo estes ajustamentos contabilísticos, o ‘benefício ordinário’ foi de 5081 milhões em 2020, menos 38% do que no ano anterior, em linha com o objetivo fixado em outubro pela presidente do grupo.

Porém, apesar desta quebra, «os resultados de 2020 refletem a resiliência e a força do modelo e da estratégia empresarial do Santander. O lucro antes de provisões está em linha com o de 2019 e entregámos benefícios ordinários de mais de cinco mil milhões de euros num ambiente muito desafiante», disse Ana Botín.

O grupo Santander explica que o resultado caiu 36% em relação ao ano anterior devido ao impacto da crise provocada pela pandemia nas receitas e provisões, o que foi apenas «parcialmente compensado» por custos mais baixos.

Também o lucro do Abanca caiu 60,5% para 160 milhões de euros em 2020. Esta descida deveu-se, segundo o banco galego, ao registo de provisões na ordem dos 283 milhões de euros devido à pandemia. Para o presidente da instituição financeira, «2020 foi um ano especialmente complexo, muito difícil».

De acordo com Juan Carlos Escotet, os apoios relacionados com a covid-19 totalizaram 3128 milhões de euros em financiamentos com aval público, dizendo respeito 1754 milhões a pequenas e médias empresas e empresários em nome individual, e 1374 milhões a grandes empresas.

As medidas de moratórias de crédito atingiram os 1257 milhões de euros, dos quais 802 milhões dizem respeito a hipotecas e 455 milhões a outras operações de financiamento.

Já a operação do espanhol Bankinter em Portugal registou lucros antes de impostos de 45,1 milhões de euros em 2020, menos 31% que os 65,6 milhões registados em 2019. A instituição financeira registou 9,5 milhões de euros de provisões, dos quais 2,5 milhões atribuíveis à pandemia de covid-19.

Quanto às moratórias, foram realizados 14 459 contratos, correspondentes a 1054 milhões de euros, ou seja, 15% da carteira do banco. A maior fatia foi para o crédito à habitação (6703), correspondendo a 589 milhões de euros, seguindo-se as empresas (4528 contratos de 426 milhões) e clientes consumer finance (3318 contratos de 39 milhões). No entanto, o responsável do Bankinter em Portugal, Alberto Ramos, considerou-as uma «ferramenta importante e positiva».