Editorial Luz

Confinamento em apps

Nestes tempos de confinamento, é insubstituível o papel que as Tecnologias de Informação e Comunicação assumiram - de forma ainda mais preponderante -, entre março de 2020 e março deste ano. Desde que recebemos a primeira ordem de recolhimento, a solução inicial foi simples, com o WhatsApp a ser a estrela da companhia.

Nestes tempos de confinamento, é  insubstituível o papel que as Tecnologias de Informação e Comunicação assumiram - de forma ainda mais preponderante -, entre março de 2020 e março deste ano. Desde que recebemos a primeira ordem de recolhimento, a solução inicial foi simples, com o WhatsApp a ser a estrela da companhia. Mas rapidamente a aplicação tornou-se insuficiente, muito devido à limitação do número de pessoas numa videochamada. Já nos bastava a proibição de ajuntamentos físicos e, por esta razão, o salto para a HouseParty foi praticamente instantâneo. O nome era só por si apelativo e a nova app ganhou destaque no fundo dos nossos ecrãs. A festa, contudo, terminou cedo. Os rumores de que a aplicação norte-americana, criada em 2016, permitia o roubo de informação pessoal, bem como o acesso a serviços como a Netflix e o Spotify deixou tudo e todos em alerta, com o logótipo da app - uma mão a sugerir o movimento de um cumprimento normalmente associado às despedidas - a ganhar mais sentido do que nunca. O quadradinho com o fundo rosa e a mão amarela num sugestivo adeus foi removido com a mesma rapidez com que tinha sido instalado mas, por esta altura, já eram os vídeos e danças da Tik Tok que corriam mundo - nalguns casos pela notável performance, noutros... nem tanto. Chegou entretanto a Zoom, tornando-se uma das ferramentas principais para estudantes e todos quantos ainda hoje continuam em teletrabalho. A fórmula repetia-se: uma app de conversação com vídeo. E, assim, foram celebrados aniversários, reuniões de trabalho e ‘saídas’ pela noite dentro aos fins de semana.

Mas as novidades continuam a um ritmo frenético e a mais recente designa-se Clubhouse. A nova aplicação do momento tem no áudio o segredo do sucesso. Invertendo os conceitos habituais associados à necessidade de reinvenção, como acontece por exemplo na rádio, a voz é o elemento-chave. Ao contrário dos podcasts, a app disponibiliza várias salas de reuniões, permitindo interagir nos debates com os oradores após pressionar a opção ‘levantar a mão’ e receber autorização do moderador.  

As passagens de Jack Dorsey (CEO do Twitter), Mark Zuckerberg (CEO do Facebook) e Elon Musk (CEO da Tesla) por esta aplicação contribuíram para o mais recente boom da app, que ultrapassou a barreira dos seis milhões de utilizadores neste último mês de fevereiro. A empresa está agora avaliada em qualquer coisa como mil milhões de dólares (mais de 820 milhões de euros).

Parece que a simplicidade volta a ganhar valor, embora, em contrapartida, a app esteja apenas disponível para quem tem um iPhone e receba um convite de um membro do clube.

Uma app (ainda) elitista e com caráter informal que promete continuar a crescer. E em que nem se corre o risco de ser apanhado com as calças do pijama e a gola da camisa de dormir por cima da blusa vestida à pressa.