Sociedade

Covid-19. Portugal está melhor mas a Europa já está de novo em alerta

República Checa volta a ter a maior incidência. Cá a descida mantém-se mas o país vai desconfinar com a variante inglesa já dominante.

A dias de o Governo apresentar os planos para o desconfinamento, o controlo da epidemia na Europa volta a gerar alertas da Organização Mundial de Saúde. Numa conferência esta quinta-feira de manhã, o diretor da OMS para a região europeia, Hans Kluge, sublinhou que na última semana os novos casos de covid-19 voltaram a aumentar 9% na região europeia, depois de seis semanas “promissoras” de descida de infeções. No espaço de uma semana, houve mais um milhão de casos. O médico belga defendeu que os países devem reforçar a testagem, rastreio e isolamento de casos, reforçar a vigilância das novas variantes, ter planos para envolver a população e combater a fadiga pandémica e preparar reaberturas coerentes e faseadas, não descartando cenários de desconfinamento a nível regional. 

Portugal não contribuiu para a subida de casos e agora o foco volta a ser o centro e leste da Europa. A República Checa, que já tinha sido dos países a atingir maiores incidências de novos casos na segunda vaga e no início do ano, é de novo o país com a pior situação epidemiológica. É a terceira vez que passa uma incidência cumulativa de mais de mil casos por 100 mil habitantes, o que em Portugal aconteceu até aqui duas vezes: em novembro, fruto do descontrolo da epidemia no Norte, e nesta última vaga em que a incidência chegou a passar os 2 mil casos por 100 mil habitantes em Lisboa.

O relatório semanal do Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC) referente à semana que terminou no último domingo, divulgado ontem, mostra no entanto que os casos estão agora a aumentar em 21 países e continuam estáveis ou a baixar em apenas oito, grupo onde se inclui Portugal. No final da semana passada Portugal registava uma incidência cumulativa a 14 dias de 173 novos casos por 100 mil habitantes.

Durante esta semana o número de diagnósticos continuou a diminuir e esta quinta-feira a incidência a 14 dias, que o i calculou, situava-se já nos 142 casos por 100 mil habitantes, o nível de contágio mais baixo desde a semana 41 de 2020 (5 a 11 de outubro). Mas o “confinamento” tem estado a baixar – o último sábado, segundo a análise da consultora PSE, registou a maior mobilidade do ano. O RT tem vindo a aumentar ligeiramente. Continua abaixo de 1 e só as próximas semanas permitirão perceber o impacto do progressivo aumento da mobilidade.

Norte tem o melhor cenário Até aqui os casos continuam a diminuir em todo o país e a região Norte é de longe a que tem os indicadores mais confortáveis. Esta quinta-feira já estava com uma incidência a 14 dias inferior a 100 casos por 100 mil habitantes (95), reflexo de uma média diária de cerca de 200 novos casos. Centro e Alentejo também já estão abaixo dos 120 casos por 100 mil habitantes. O Algarve está com uma incidência cumulativa a 14 dias de 125 casos por 100 mil habitantes.

A região de Lisboa e Vale do Tejo, que teve a epidemia mais intensa depois do Natal, acaba por estar a empurrar os números nacionais para cima, já que regista ainda uma incidência cumulativa de 185 casos por 100 mil habitantes, com uma média de 356 novos casos nos últimos sete dias.

Na semana passada, a DGS reviu a estratégia de testagem e estabeleceu que testes rápidos seriam feitos de forma periódica em escolas e fábricas de concelhos com mais de 120 casos por 100 mil habitantes e agora, como aconteceu com o primeiro patamar de 480 casos por 100 mil habitantes, a maioria dos concelhos já está também abaixo dessa linha. Ainda assim, na região Norte está a ser feito um teste piloto de testagem massiva em Santa Maria da Feira e o Governo já reiterou que a testagem regular é para avançar com a reabertura da escolas.

Reunião no Infarmed na segunda-feira Quando abrem ainda não é certo. O i sabe que se mantêm dois cenários em cima da mesa: ou abrem creches e escolas de alunos mais novos na segunda quinzena de março ou só depois da Páscoa. Na próxima segunda-feira terá lugar uma nova reunião no Infarmed, desta vez centrada no desconfinamento e nos indicadores que estiveram a ser trabalhados ao longo das últimas semanas pelos especialistas a quem o primeiro-ministro pediu consenso sobre linhas vermelhas para levantar e apertar medidas. Depois, o Governo fecha as medidas em Conselho de Ministros e, mantendo-se o calendário, quinta-feira fica-se a saber os planos.

Portugal está agora com uma média diária de 815 casos, abaixo da meta que chegou a ser apontada pelo Presidente da República, embora o Governo não tenha até aqui fechado balizas. Os hospitais estão com menos doentes com covid-19 mas ainda há mais de 300 doentes em cuidados intensivos. A incidência a 14 dias é o triplo de quando o país desconfinou em maio do ano passado – a 4 de maio, quando o país começou a reabrir, a incidência era de 45,2 casos por 100 mil habitantes. Mantendo-se a descida de casos, na próxima semana já será menor. Por outro lado, a variante inglesa, mais transmissível, já é dominante, o que não acontecia quando o país confinou. O INSA revelou esta semana que numa amostra de casos do mês de fevereiro representou 58,2% dos diagnósticos. Quando o país confinou em janeiro o peso era ainda de 16%. 

Durante a semana, o início do desconfinamento voltou a ser remetido para depois da Páscoa, com a garantia de que as escolas serão as primeiras a reabrir. A diretora-geral da Saúde defendeu numa entrevista à RTP que o desconfinamento deve ser faseado, reconhecendo que se mantém o risco de uma nova vaga, que de resto parece estar a recrudescer na Europa. O número de testes em Portugal, apesar de ter estabilizado nas últimas semanas, continua sem ver aumentos significativos . O país tem agora uma taxa de positividade abaixo de 5%, já dentro dos patamares recomendados pela OMS e um quarto do que chegou a ser no pico de casos em janeiro, quando quase um quarto das pessoas que iam fazer o teste estavam infetadas.