Editorial Luz

Ovo cozido e amêndoa amarga

O ovo da Páscoa vem pelo segundo ano sem surpresas e o coelho não serve senão para relembrar que a lei manda permanecer na toca.

Conta a vizinha que não tem certezas sobre se se trata mesmo do domingo de Páscoa, o próximo; diz que o Natal afinal só chegou agora que os dois mais pequenos já voltaram a dar uso às rodinhas da mala e o irmão mais velho está quase pelo mesmo caminho. Mostra-se capaz de arriscar em fazer bacalhau – ovos só cozidos - para o fim de semana e a sorte de haver chocolate está entregue à possibilidade de encontrar os calendários com as janelinhas. A amêndoa ainda sonha em entrar na festa mas só passa na versão amarga, o melhor remédio depois da telescola.

Levanta-se sempre antes de o alarme tocar e explica aos miúdos que a pontualidade é sinal de respeito e compromisso sempre que é questionada por que motivo são os primeiros meninos a entrar na escola.

E vão também para o ATL na semana opcional de férias da Páscoa para nem correrem o risco de ganharem o título de ovo podre. Uma humilhação sobretudo nesta altura. E lá vão eles.

Mesmo com o horário de trabalho igual ao de sempre, diz que lhe parece que passou para regime de part-time. E antes da gracinha confirma que tem o telemóvel bem bloqueado não vá o diabo tecê-las e dizerem-lhe que bem pode ir passear...

Os miúdos vão ficando na escola até à hora limite e os dias mais longos justificam os jogos da macaca tardios, afirma convincente. E ri-se.

Só falta chegar a vez de tocar a campainha para o mais velho, que nem sonha que a mãe tem a mesma solução para todos os problemas que lhe vão surgindo na matemática: 5, dia planeado para o regresso do 2.º ciclo às aulas presenciais.

E o telefone toca. É a contínua da escola dos mais pequenos. São os últimos. Mas amanhã é outro dia. E assim continua…