À Esquerda e à Direita

Sigam o Biden...

Com o mundo suspenso à espera das vacinas – que não são sinónimo de milagre para a pandemia – seria normal que a União Europeia tentasse fazer o mesmo que Biden, até porque não tem dinheiro para seguir o exemplo do primeiro-ministro israelita que ligou para o presidente da Pfeizer e explicou que queria milhões de doses, custasse o que custasse.

Segundo rezam as crónicas, Joe Biden quando assumiu o poder chamou as farmacêuticas que produzem vacinas para a covid-19 e colocou-as na ordem. José Aranda da Silva, o primeiro presidente do Infarmed, disse ao Nascer do SOL que Biden não teve contemplações. E o militar português não percebe por que razão os europeus não fazem o mesmo: «Não vemos a Comissão Europeia e mesmo a presidência portuguesa tomar uma atitude firme como a que tomou o Presidente Biden nos EUA. Biden chamou as grandes empresas, as que tinham vacinas da covid-19 e as que não tinham mas produzem outro tipo de vacinas como a Merck, e foi muito claro: ‘Ou os senhores produzem noutros laboratórios ou eu intervenho usando mecanismos legais e resolvo o problema’. E nos EUA a produção de vacinas já não está a ser feita só nas fábricas da Pfizer e Moderna mas nas fábricas da Merck por exemplo. Na Europa nada».

O militar e fundador da agência Europeia do Medicamento foi mais longe. «Não venham com histórias: a capacidade de produção de vacinas na Europa, ao contrário do que se tem pretendido dizer, é excedentária e não está a ser toda utilizada. É insuficiente com certeza nas fábricas da Pfizer e da AstraZeneca, mas há outros laboratórios, a Merck, a Recipharm, a Novartis...».

Com o mundo suspenso à espera das vacinas – que não são sinónimo de milagre para a pandemia – seria normal que a União Europeia tentasse fazer o mesmo que Biden, até porque não tem dinheiro para seguir o exemplo do primeiro-ministro israelita que ligou para o presidente da Pfeizer e explicou que queria milhões de doses, custasse o que custasse.

E é aqui que entra a história de Cascais ter chegado a um acordo com os russos para produzir a vacina em Portugal ou para fazer o enchimento, ou o que quer que seja, desde que isso signifique mais pessoas vacinadas.

Na entrevista de 21 de março, Aranda da Silva estava convencido que estaria por dias a aprovação da vacina russa pelo organismo europeu... Será que o Governo português está preparado para atuar no dia seguinte à aprovação da Sputnik, da chinesa ou de outra qualquer? Ao que se sabe, a Coreia do Sul já produz a vacina russa e os italianos e alemães também estão interessados no mesmo.

O presidente da Câmara de Cascais diz que, juntamente com Rui Moreira, já conseguiu chegar a um pré-acordo com os russos e aqui questionamo-nos: qual a razão para os presidentes de câmara conseguirem ser mais ágeis do que o Governo? Que se saiba, só o Infarmed poderá comprar as vacinas, mas não seria de aprofundar esta proposta de Carreiras ou de outros que tenham contactos privilegiados?

Se nos lembrarmos que foi Rui Moreira que trouxe os primeiros ventiladores para Portugal, percebemos melhor o peso da máquina do Estado.

Claro que estão muitos milhões em jogo e este Governo, como todos os outros, deve zelar bem pelo nosso dinheiro, mas não pode perder tempo a adotar as soluções que nos façam fugir deste pesadelo.

Calculo que haverá pressões de todos os lados e que os aliados sejam quase obrigados a dar prioridade aos americanos, mas quando estão tantas vidas em jogo a única coisa que interessa é salvá-las. Ao que se sabe, todas as vacinas têm contraindicações, à semelhança de quase todos os medicamentos. Mas não é por acaso que quase 200 mil cientistas espanhóis fizeram um apelo ao Governo para não suspender a vacinação. Com a população mais sensível vacinada, pode ser que possamos voltar à vida que gostamos, pois os hospitais não ficarão, em princípio, tão entupidos com os nossos casos. E estou à vontade para falar no assunto, pois espero bem estar na última fila dos vacinados.

vitor.rainho@sol.pt