Opiniao

A Revitalização da Arte Contemporânea de Tomar

Nos últimos anos, o número diminuiu e, é claro, a epidemia do novo coronavírus causou o encerramento. Com efeito, o museu tornou-se um armazém e agora é necessária uma análise criteriosa das suas boas intenções.

por Roberto Knight Cavaleiro

Passaram-se dezassete anos desde que o Professor José-Augusto França generosamente doou ao público mais de cem obras e a CM de Tomar providenciou um edifício elegantemente restaurado para as acolher. Embora descritos pelo professor como não sendo uma “grande coleção”, proporcionaram uma representação abrangente da arte portuguesa criada durante o período de 1940 a 1980 e a sua exposição atraiu inicialmente muitos visitantes. Mas, nos últimos anos, o número diminuiu e, é claro, a epidemia do novo coronavírus causou o encerramento. Com efeito, o museu tornou-se um armazém e agora é necessária uma análise criteriosa das suas boas intenções.

Os artistas que criaram essas obras pretendem que elas sejam vistas, apreciadas e criticadas pela população e há várias maneiras pelas quais as suas ambições podem ser alcançadas; especialmente com os meios revolucionários da Internet.

Em primeiro lugar, é imprescindível que o acervo existente seja gravado em vídeo (com histórias curtas de cada artista) e que este esteja disponível nas redes sociais e também num site dedicado a ser criado pelo município para fins amplamente culturais. Embora a arte seja, obviamente, um assunto tátil, esta é a única maneira de alcançar uma distribuição global para apreciação geral.

Em segundo lugar, devem ser feitos convites à doação de obras contemporâneas de artistas ainda não representados como Manuel Cargaleiro, Carlos Calvet, Dordio Gomes, Thomaz de Mello e Lima da Freitas.

Em terceiro lugar, poderia ser nomeado um curador, que também é um artista em atividade, a quem parte do segundo andar poderia ser alocada como um estúdio onde os alunos poderiam ser recebidos para ver e participar do uso de técnicas modernas.

Em quarto lugar, e mais importante, o museu deve formar o núcleo de distribuição das obras selecionadas a locais públicos, como hospitais, clínicas, centros de assistência social e escritórios governamentais, onde podem ser exibidas numa base rotativa de empréstimo de curto prazo. Essa distribuição também poderia ser feita para as áreas de receção de praticantes comerciais e profissionais que pagariam um aluguer anual para ajudar nas despesas administrativas.

Estas novas dinâmicas irão ajudar a alcançar uma apreciação mais ampla do público pela arte contemporânea e até encorajar a participação de novos artistas cujas criações irão eventualmente encontrar o seu caminho para serem expostas no nosso museu!

Tomar 23-04-2021