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Ainda sobre a ciclovia da Almirante Reis

A Avenida Almirante Reis precisa de uma intervenção mais profunda e sistemática que qualifique o espaço público de modo a poder acolher novos usos de forma harmoniosa.


A ciclovia da Avenida Almirante Reis, por mais voltas que se queira dar, é um erro e foi uma precipitação tal como foi implementada e, mesmo depois de ser remediada, continua a criar mais problemas do que os que resolve.

A Avenida Almirante Reis pode ter uma ciclovia que se integre naquele eixo. Mas antes, precisa de uma intervenção mais profunda e sistemática que qualifique o espaço público de modo a poder acolher novos usos de forma harmoniosa (incluindo uma ciclovia) e sem prejudicar os seus utilizadores. Este importante eixo radial da cidade merece uma requalificação global que o modernize, que o torne mais atrativo e que o valorize.

A teimosia de ‘plantar’ uma ciclovia na Almirante Reis sem estudos e sem soluções para os problemas criados foi uma intervenção que desqualificou ainda mais aquela artéria pois, à degradação do espaço público que se verifica, acrescentou o congestionamento do trânsito automóvel, a diminuição da eficiência dos transportes públicos e a dificuldade acrescida para a logística do comércio, com mais poluição, mais ruído e com aumento de conflitualidade.

Veja-se a intervenção no eixo central (entre o Marquês de Pombal e Entrecampos): pese embora não tenha contribuído para melhorar a circulação naquela zona – e essa é a crítica que deve ser feita – teve a virtude de tornar o espaço público mais agradável e foi possível acolher uma ciclovia sem conflitos com o trânsito automóvel.

A Avenida Almirante Reis deve ser requalificada de forma planeada e sistemática. Um olhar atento constata, por um lado, a desorganização e a degradação deste eixo, fruto de intervenções pontuais e de um desenvolvimento descoordenado. Por outro lado, a sua localização e a atividade comercial e económica permitem antecipar que a qualificação do espaço público é o que falta para desenvolver todo o potencial existente, transformando esta avenida num eixo de referência da cidade.

No presente, observa-se mobiliário urbano degradado e sem harmonia, árvores de alinhamento desordenadas, outras desadequadas e muitas em falta, iluminação insuficiente, passeios em mau estado, lugares para cargas e descargas desajustados e deficiente oferta de estacionamento. A imagem de desleixo desta artéria estende-se (e não é por acaso) à limpeza e também à degradação de muitos edifícios, convergindo para um conjunto decadente.

É tudo isto que importa inverter, intervindo de forma planeada e em diálogo com os cidadãos, ponderando o reperfilamento do eixo, redesenhando-o de modo a integrar estacionamento, transportes públicos, circulação automóvel suficiente e ciclovia, harmonizando o mobiliário urbano com as características arquitetónicas da Avenida e plantando árvores.

A aposta na requalificação da Avenida Almirante Reis resolve vários problemas, concorre para a dinamização e valorização do tecido social e económico daquela importante zona da cidade e até permitirá conter uma ciclovia de forma harmoniosa.