Economia

NB. Foco agora é a rentabilidade

Depois de reestruturação concluída, o banco apresentou lucros de 70,7 milhões. ‘As perspetivas para os próximos meses são boas’, diz analista. Fundo de Resolução já passou ‘cheque’ de 317 milhões.


Areestruturação do Novo Banco «está em grande medida concluída. Agora o foco é o crescimento do negócio com rentabilidade». A garantia foi dado ao Nascer do SOL pelo CEO da instituição financeira, depois de ter apresentado pela primeira vez lucros de 70,7 milhões de euros nos três primeiros meses do ano – em igual período do ano passado apresentou uma perda de 179,1 milhões. António Ramalho na apresentação de resultados referentes a 2020 já tinha prometido lucros para este trimestre. E cumpriu. 

Um resultado que não surpreende Eduardo Silva, diretor da sucursal da XTB em Portugal: «Acaba por ser o culminar do que estava determinado desde o primeiro dia em que foi intervencionado. Foi todo um processo: dividir, injetar, limpar o balanço enquanto mais capital era injetado a cada ano… Limite atingido, altura de voltar a dar lucro e mostrar valor».
O analista lembra que a «estratégia utilizada é óbvia desde o primeiro dia», referindo que «a toxicidade do negócio para o Estado e contribuintes teria sempre de ser distribuída ao longo do tempo. Em vez de se injetar um valor brutal de uma vez, foi dada a ideia de que o valor máximo de pedido de ajuda era apenas uma garantia a ser usada no pior cenário. Para mais, ao longo do tempo parece sempre mais fácil de digerir».

E acrescenta: «Qualquer analista saberia, desde esse momento, que o banco iria aproveitar todas as ajudas negociadas. E foi exatamente isso que aconteceu». Eduardo Silva considera que «tudo correu dentro da normalidade: deu prejuízos enquanto os prejuízos serviam para limpar as folhas de balanço e pedir ajuda, mas perante o limite, agora o interesse é outro. Agora é altura de valorizar o ativo ‘Novo Banco’». No seu entender, «não existe nada de surpreendente na estratégia do Novo Banco. Apenas, o ‘a partir de agora’. Sempre foi a altura de dar lucro e mostrar que o banco usou estes anos para se reestruturar, modernizar, e limpar o balanço».

Raio-x
Para este resultado contribuiu a subida da margem financeira em 12% para 145,7 milhões de euros, assim como o incremento anual do produto bancário comercial (+5,3%, para 208,5 milhões) juntamente com menores custos operacionais (-5,1%, para 102,7 milhões). «Os custos operativos apresentam uma redução que reflete, além do investimento no negócio e na transformação digital, o foco na otimização de custos conseguida com a implementação de melhorias ao nível da simplificação e otimização dos processos, traduzindo-se numa melhoria dos rácios de eficiência do banco», disse a instituição financeira.

Só os custos com pessoal totalizaram 58,7 milhões (-4,4% em termos homólogos), «mantendo a evolução decrescente que se tem verificado nos últimos anos em resultado da recalibração contínua do modelo de negócio em prol do incremento da eficiência». No final de março contava com 4.557 colaboradores (menos 25 trabalhadores face ao passado), enquanto os gastos gerais administrativos diminuíram 7,8% face ao período homólogo, totalizando 35,9 milhões «devido a um esforço generalizado de redução de custos de funcionamento, juntamente com investimento no futuro do negócio». E fechou 2 balcões, passando a ter 357. 

As imparidades para crédito totalizaram 54,9 milhões, que incluem 21,8 milhões de imparidade para riscos relacionados com a covid-19, apresentando uma redução de 60,5% ou 84 milhões face ao período homólogo. 

O crédito a clientes (bruto) totalizou 24.952 milhões, apresentando uma variação de -1,1% face a dezembro de 2020, «evolução influenciada pela continuada estratégia de redução de créditos não produtivos (NPL)». A instituição bancária informa que «no 1.º trimestre o Grupo NB concretizou a venda de uma carteira de créditos não produtivos e ativos relacionados (Projeto Wilkinson) com um valor bruto de 210,4 milhões». 
Já as comissões registaram uma quebra de 8% nas comissões para 62,8 milhões de euros, uma descida que se deveu ao menor número de transações e à menor atividade bancária por causa da pandemia.

E agora?
De acordo com Eduardo Silva, as perspetivas para os próximos meses são boas. «Foi comprado para dar lucro, o banco vai dar lucro, ou vai dar muito lucro, ou vai ser vendido, fundido, dividido. Seja de que maneira for, o ativo ‘Novo Banco’ está na altura de começar a dar retorno aos investidores e claramente parece ser o caso», diz ao Nascer do SOL.
Mas se durante a semana havia dúvidas em relação à nova injeção de capital, no final da semanas, as dúvidas quase se dissiparam. O Fundo de Resolução já transferiu o dinheiro para o Novo Banco. No total, o fundo está autorizado a injetar 429 milhões de euros, mas há uma parcela, de 112 milhões, que ainda está em dúvida e que só será transferida depois de o fundo concluir as diligências.

Um valor que fica aquém do montante de 598,3 milhões de euros pedido pelo Novo Banco com base nas contas de 2020. Mas, de acordo com o fundo, uma parte deste valor total de quase 600 milhões, perto de 147 milhões de euros, diz respeito à decisão do Novo Banco de desinvestimento da atividade em Espanha, enquanto outros 18 milhões estão relacionados com as «diferenças de valorização apuradas quanto a um conjunto de ativos detidos pelo Novo Banco».

Além disso, considera que é preciso ainda retirar perto de dois milhões de euros, que correspondem aos prémios diferidos atribuídos à gestão do banco. 

Eduardo Silva não coloca dúvidas em relação às necessidades de capital. «Fazer sentido, ou não, isso não interessa muito. Tratam-se de mercados financeiros… Se conseguirem justificar e estiver negociado, tecnicamente pouco interessa se é ético ou não – são negócios».