Sociedade

Variante delta já é dominante em quase todo o país. "Delta plus" com transmissão comunitária em Portugal

Relatório do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge descreve subida como "galopante". Entre os 766 casos confirmados geneticamente, 46 são da variante delta plus, que já tem transmissão comunitária no país. Portugal é o país com mais casos detetados, tendo ultrapassado o Reino Unido

Variante delta já é dominante em quase todo o país. "Delta plus" com transmissão comunitária em Portugal

A variante delta do sars-cov-2, que os investigadores acreditam que será 60% mais transmissível, já é dominante em praticamente todo o país, sendo as excepções a região Norte e as ilhas. A conclusão surge no relatório sobre a diversidade genética do vírus disponibilizado nas últimas horas pelo Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge, que classifica o crescimento da variante em Portugal no último mês como "galopante".

Nas amostras analisadas em maio, a variante Delta (B.1.617.2), associada inicialmente à Índia, representava 4% dos casos e nas amostras de junho o peso sobe para 55,6%. Como o i noticiou, em maio só foram feitas análises genéticas até ao dia 11, pelo que este crescimento terá acontecido desde então e os dados agora disponibilizados retratam ainda apenas a primeira quinzena do mês de junho.

Apesar de Lisboa e agora do Algarve estarem a registar as maiores incidências de novos casos de covid-19 a nível nacional, é no Alentejo, onde as infeções também têm estado a aumentar, que se apura a maior prevalência da variante, que representou 94,5% dos casos analisados.

Em Lisboa e Vale do Tejo, a variante delta representa 76,4% dos casos, no Centro 82,4% e no Algarve 75%. Na região Norte, o crescimento tem sido mais lento, representando agora 32,1% dos casos. Nos Açores, a variante tem um peso calculado em 3,2% e na Madeira de 13,2%. 

O relatório do INSA revela que entre os 766 casos confirmados com sequenciação genética da variante delta, foram detetados 46 casos da variante delta plus, que os peritos admitem que já terá transmissão comunitária no país, "ainda limitada". Tem uma prevalência estimada em 2,3% dos novos casos no país.

Trata-se da variante delta com uma mutação adicional na proteína spike, a "chave" do vírus para se ligar às células e que cujo impacto ainda está a ser estudado.

A base internacional Gisaid, que o i consultou, revela que Portugal é o país com maior prevalência desta nova variante, cuja presença no país veio a público quando o Reino Unido anunciou a exclusão de Portugal dos corredores verdes do turismo.

Na altura, Portugal tinha 12 casos desta variante e o Reino Unido 36. Atualmente, estão sinalizados 347 casos da variante delta plus, que tem entretanto duas linhagens classificadas, a AY.1 e a AY.2.

A mais prevalente em Portugal é a AY.1, com 206 casos em todo o mundo, 46 em Portugal. Na semana passada, a ministra da Saúde tinha anunciado que já tinham sido identificados 24 casos no país, números que duplicaram no espaço de uma semana. Segundo a base Gisaid, Portugal já passou o Reino Unido nos casos detetados desta variante, 45 até ao momento, e é o primeiro país europeu a confirmar transmissão comunitária.  

O INSA refora que passou a adoptar este mês uma estratégia de monitorização contínua da diversidade genética do coronavírus, que vai assentar em amostragens semanais de amplitude nacional. Os dados agora publicados dizem respeito a 1807 amostras analisadas, entre pessoas diagnosticadas com covid-19 entre os dias 2 e 15 de junho, pelo que não refletem ainda a segunda quinzena do mês.

O que se sabe sobre a delta e sobre a delta plus

Segundo uma avaliação de risco publicada na última sexta-feira pelo Public Health England, a agência de saúde pública no Reino Unido, os dados continuam a apontar para maior transmissão da variante delta, com alguma evidência inicial de maior risco de hospitalização quando comparada com a variante alpha, até aqui dominante. 

O relatório indica que dados preliminares de análises in vitro sugerem uma menor capacidade de neutalização dos anticorpos adquiridos na primeira vaga da infeção, o que poderá significar que quem não está ainda vacinado e mesmo já tendo tido covid-19 tem maior risco de reinfeção. Em relação às vacinas, a eficácia na proteção de doença grave mantém-se em patamares elevados, sendo menor na proteção do risco de ser infetado, em especial para quem só tem uma dose da vacina.

Segundo a análise feita pelos peritos britânicos, após uma dose, as vacinas protegiam de infeção sintomática em 49% dos casos da variante alpha, resultado que baixa para 35% na variante delta. Após duas doses, a proteção é estimada em 89% o caso da variante alpha e 79% na variante delta.

Quanto a casos que requerem hospitalização, os dados sugerem que a eficácia das vacinas se mantém igualmente elevada: após uma dose, estima-se uma proteção de 78% no caso da variante alpha e 80% nos casos da variante delta. Após duas doses, a proteção de casos mais graves que requerem hospitalização sobe para 93% no caso da variante alpha e 96% na variante delta.

A preocupação na comunidade científica é que sendo mais transmissível, incluindo entre quem já tem uma ou duas doses da vacina, se as cadeias de transmissão não forem contidas aumenta o universo de pessoas que mesmo vacinada pode desenvolver doença mais grave.

Em relação à variante delta, o PHE considera que os dados são preliminares mas tranquilizadores, sugerindo que se mantém a proteção vacinal.

 

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