Contra a corrente

Queda moral a 200 à hora


Por estes dias está a decorrer no supremo tribunal britânico o caso de considerar o Governo da Venezuela ou o Guaidó como legítimos ‘titulares’ das reservas de ouro da Venezuela depositadas há tantos anos em Londres. Desde que o Governo ‘português’ do PS e seus apoios se pronunciou, pela voz militante do ministro SS, pelo reconhecimento do Guaidó como ‘Presidente’ daquele país, que muitos fundos e patrimónios venezuelanos foram confiscados/roubados (sim, como atos de vulgar ‘pirataria’) àquele país, incluindo em Portugal, pela Europa fora e pelos EUA. Não conseguiram matar o Maduro mas à Venezuela têm vindo a fazer o que fizeram com os fundos soberanos da Líbia, mesmo antes de terem matado, conforme se viu de forma tão cristã, o Gaddafi. A ‘civilização pirata’ ocidental, tão moderninha e cheia de direitos humanos não fez mais do que aquilo que aprendeu durante séculos: «Chegámos, Vimos e Ele Morreu!», como disse alarvemente a Clinton.

Ainda não se sabem os pormenores da morte do presidente de Haiti mas já se fala que as tropas americanas vão ocupar o país (para facilitar o assalto a Cuba, ali tão perto?) e que o avião privado que costuma levar o Guaidó nas suas viagens terá servido para retirar daquele país alguns dos cabecilhas. O senhor SS sabe disso? Portugal também vai ficar ensarilhado em mais esse caso ‘civilizacional’, contra o Haiti e Cuba?

Alguns dos que, entre nós, também se intitulam portugueses, devem estar muito orgulhosos de terem passado de uma situação de ‘orgulhosamente sós’ para ‘orgulhosamente no pelotão da frente dos piratas’.

Neste quadro de ‘confiabilidade internacional’, como é que os países ‘pobres e atrasados’ do mundo, incluindo os ‘palop’ (isso ainda existe? Alguém se lembra?) vão confiar em Portugal como um parceiro de passado e de futuro? Depois do que aconteceu em Angola, onde se usou o Lourenço para limpar os dos Santos e se deve estar a planear limpar os Lourenços para lá colocar um amigo do ‘grupo internacional de jornalistas’, poder-se-ia perguntar o que vão fazer alguns tropas portugueses a Moçambique: a defender os interesses desse povo ou a ajudar a desagregar o país em favor das multinacionais?

Sem dúvida, estamos cada vez mais apequenados por esta gente que nos desgoverna há décadas e que se lambuza nos ‘fundos’. O seu nível médio mede-se pelos casos dos ministros que andam nas estradas a 200 à hora sem qualquer responsabilidade pessoal. Aliás, nas Forças Armadas, pelo menos no meu tempo, assumia-se que o ‘comandante’ era sempre o responsável pelos comportamentos dos seus subordinados, porque não tinha tido êxito na formação das suas cabecinhas e almas, para que dessem o máximo e o melhor à Pátria e às FFAA. Perante qualquer insucesso, o comandante dava o exemplo, apresentando a sua demissão do cargo. No meu ponto de vista, os ministros não só se deveriam ter logo demitido como deveriam estar presos como perigos públicos, para o ‘Estado de direito’ e para a vida dos cidadãos. Como também não foram demitidos, o ‘general do Governo’ também deveria ser corrido. Temos de, coletivamente, pensar neste assunto, em dar uma varredela nas instituições nacionais.

Aliás, um tipo chamado Barreto, muito amiguinho do que de pior havia em Portugal e na Europa quanto a Cultura e Moral, os agrários do Alentejo, que, para lhes restituir as terras, até mobilizou a GNR para matar alguns trabalhadores agrícolas, vem agora, também sem assumir as suas responsabilidades, anunciar o esgotamento desta República. É o cúmulo da desfaçatez!

Eu não sou um pessimista; sou antes um otimista patriótico e histórico. Sei que Portugal vai vencer e sair do pântano atual. Com outra democracia, com a necessária soberania, com dignidade! Só espero que, nessa altura, as reservas de ouro que nos sobram, colocadas no estrangeiro, não venham a ser entregues a um qualquer Guaidó indígena.