Brasil presente

A verdade sobre o nióbio


O Brasil tem as maiores reservas e a maior produção mundial de nióbio, um minério raro, que existe também na Austrália e Canadá, em dimensão menor. Ocorre que sua transformação, redução, é de alto custo e tecnologia de ponta. O investimento é grande e a tecnologia não é disponível; na realidade, restrita e desenvolvida no Canadá. 

Usado nas ligas de aço para obtenção de alta resistência, alta temperatura, durabilidade, com cem gramas para cada tonelada de minério, ele fornece aços especiais. A indústria espacial, aeronáutica, a energia nuclear e as siderurgias que usam grandes temperaturas são as maiores usuárias. Com utilidade semelhante, o tungsténio é uma opção igualmente cara e de tecnologia pouco conhecida.

No Brasil, o nióbio é produzido em Araxá, Minas Gerais, em empresa de capital nacional, da família Moreira Salles, que, inicialmente, foi associada à canadense detentora da tecnologia e que mantém assistência à empresa, e tem lucro anual em torno de um bilhão e meio de euros. No norte do país, existem reservas, mas que, até aqui, não compensou o investimento. É metal precioso, caro, mas de mercado restrito. Caso a produção aumente, não haverá mercado. E, se o Brasil adotasse as teses pregadas pelas esquerdas, de reduzir a produção e de uma intervenção em empresa privada, o mundo haveria de encontrar substituto ou explorar outras reservas. 
 
Esse assunto é recorrente entre correntes supostamente ‘nacionalistas’, com ampla cobertura da esquerda, explorando a ignorância dos que repetem que a empresa ganha muito, outros, que o produto é contrabandeado – impossível, pois só uma empresa detém tecnologia para seu beneficiamento, que requer altos investimentos. Uma lenda que encontra curso em pessoas de muita má-fé ou muito ignorante. 

Incrível que esse tipo de especulação, sem base na realidade, sobreviva em pleno século XXI. Mas, neste caso, é sempre tema para a demagogia, que explora a ignorância na sociedade. 

Variedades

• O Rio de Janeiro lançou o programa de retomada a partir de 2 de setembro, quando será iniciado o ano de eventos que irá até o Rock in Rio, com começo em 2 de setembro de 2022. São Paulo mercou para 17 de agosto, mas sob risco de adiar.

• O Sul curte o frio. São Paulo registrou 4 graus e Santa Catarina, na serra, chegou a-8. Neve em toda região.

• Grupo Globo anunciou sua reestruturação, reunindo cinco empresas em uma só, com investimentos em tecnologia e conteúdo jornalístico. O trabalho foi da Accenture, de Dublin, com acompanhamento da família Marinho e administradores do grupo. A empresa conta com 15 mil colaboradores. Seus estúdios, no Rio, estão entre os mais modernos do mundo, numa aliança com a Sony.

• Há grandes organizações com projetos de energia solar e eólica para atender ao seu consumo. São empresas como Honda, L’Oreal, Ambev e Vale, entre outras.

• A Petrobras dá continuidade à venda de ativos não relacionados à produção de petróleo e gás e, para diminuir o endividamento herdado dos anos loucos do PT, vendeu a participação em 19 distribuidoras. O comprador foi o Grupo Cosan, que já controla a Comgás, de SP, com mais de dois milhões de clientes.

• Discreto, sem fazer política, o governador de Minas, Romeu Zema, já é reconhecido como o de maior popularidade em seu Estado.

• A Azul, apostando na força do e-commerce, já conta com 300 lojas no país para receber e entregar documentos e produtos vendidos por meio digital.

• A questão do voto impresso, a nova polémica criada pelo Presidente, é decisão do Parlamento. A vontade do Presidente e as manifestações populares que ele incentivou semana passada, são inócuas. Logo ele apenas quer criar confusão. E continua a ser o maior prejudicado.

• A conversa com Marcelo em Brasília foi boa. Mas não anula a vergonha de não ter ido a reinauguração do Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo, onde estavam os presidentes de Portugal e de Cabo Verde.

Rio de Janeiro, agosto de 2021