Economia

CGD. Banco diz que adesão à greve foi de 20%. Sindicato não concorda

Banco diz que 20% das agências estiveram encerradas. Já sindicato não é da mesma opinião e garante que ação foi “um êxito”.


Cerca de 150 trabalhadores da Caixa Geral de Depósitos estiveram esta segunda-feira em greve, reclamando, entre outras coisas, a negociação da tabela salarial e a “autêntica razia na redução do número de trabalhadores”.

A greve, que decorreu em frente à sede da instituição bancária liderada por Paulo Macedo, terá tido apenas uma adesão de 20%, como explicou à Lusa o  administrador, José João Guilherme. “Temos 20% das agências encerradas. Naturalmente, que em algumas há transtornos que decorrem, sobretudo, desta greve atingir os mais vulneráveis, que são os reformados”, disse. 

No entanto, os sindicalistas discordam desta percentagem: “Já se sabia que a Caixa ia dizer isso. A Caixa considera uma agência não fechada estando nela um trabalhador. Não se pode dizer que esteja a funcionar. Não surpreende o que a Caixa diz. Já o disse em 2018, mas não é verdade. A rede comercial está fechada ou inoperacional”, disse à Lusa o presidente do Sindicato dos Trabalhadores das Empresas do Grupo Caixa Geral de Depósitos (STEC) – sindicato que convocou a greve – Pedro Messias. Para o STEC não houve “agências a funcionar com normalidade”e , por isso, a ação foi “um êxito”.

Na manifestação os trabalhadores exibiam vários cartazes onde podia ler-se  “Contra a violação do acordo da empresa”, “Contra o assédio” ou “Por um diálogo efetivo, não de surdos”.

A posição da CGD No seguimento desta greve, a Caixa Geral de Depósitos reagiu ao garantir que “a greve é um direito que assiste a todos os trabalhadores, desde que cumpra todas as formalidades que são definidas na lei”.

No entanto, a instituição bancária defende que “as razões invocadas pelos sindicatos aderentes à greve de hoje banalizam o direito à greve, como é demonstrado pela adesão dos colaboradores, inferior em 50%, em relação à última greve de 2018”, uma vez que a Caixa diz ter contado com 80% das agências abertas, tendo processado “um volume de transações digitais superior em 4% (às 12 horas) face ao período homólogo do ano anterior”.

Na nota enviada às redações, a CGD diz que “tem uma tabela de remunerações muito acima dos restantes bancos com quem concorre. Em 2020, a Caixa foi o primeiro banco a fechar a negociação da tabela salarial com os sindicatos, logo em janeiro. Em 2021, Caixa comprometeu-se com os sindicatos a apresentar uma proposta em setembro”.

E garante que “nunca esteve, nem está, em cima da mesa qualquer hipótese de um despedimento coletivo na Caixa Geral de Depósitos”. Pelo contrário, “para os colaboradores que têm escolhido sair, as condições de saída, quer seja por pré-reforma ou mútuo acordo têm sido das mais favoráveis da banca portuguesa”.

No entender do banco, “esta é uma greve que demonstra insensibilidade por parte das estruturas sindicais que a convocaram, prejudicando alguns dos mais vulneráveis, mais desfavorecidos e com menor literacia financeira”, uma vez que foi convocada para o dia em que muitos portugueses recebem as suas pensões.

O banco liderado por Paulo Macedo garante que “continuará a ser gerida de forma profissional, sempre com os colaboradores, de forma a cumprir o seu papel, em concorrência com os restantes bancos, como banco português e de capitais públicos, mas de forma sustentável e sem pedir repetidamente esforços adicionais aos contribuintes portugueses”.