Faça as malas

Paddle: um refúgio anti stress em cima da prancha

É um desporto ainda jovem na Europa, mas que é acessível a todas as idades. Mas o stand up paddle é sobretudo uma ‘terapia’ para  aqueles que procuram relaxar.


Entre mergulhos e banhos de sol, o verão passa-se em beleza. Mas há quem não dispense a prática de exercício físico, mesmo quando está de férias. Nesta época em que as temperaturas da água são mais convidativas, muitos voltam-se para os desportos aquáticos e, de há uns anos para cá, há uma modalidade que tem conquistado popularidade: o stand up paddle ou SUP para os mais entendidos.

Em não raras vezes, ao longo da nossa extensa costa, é possível ver pessoas em cima de longas pranchas, que auxiliadas por um remo, vão quase como deslizando sobre a água. Esta atividade envolve «uma prancha mais estável e maior que as utilizadas no surf», ou seja, com um comprimento superior a três metros e quase um metro de largura, que é colocada em águas paradas ou moderadamente em movimento, explica Nick Evans dono da SurfnPaddle ao Nascer do SOL. Esta escola localizada na Praia da Duquesa, em Cascais, foi a primeira a trazer o paddleboarding para as praias daquela baía em 2010. «Há uma década ninguém praticava paddle na Europa, não era algo muito comum. É um desporto que ainda está a crescer», revela o britânico.

Aos 30 anos de idade, por volta de 1997, Nick trocou o frio e a chuva de Inglaterra pelo tempo ameno de Portugal. «Sempre fiz férias cá, na praia do Guincho, onde praticava windsurf. Depois apaixonei-me pelo país e decidi mudar-me para cá para ter outra qualidade de vida». 

Quando mudou a sua vida toda para Portugal, não veio logo com o propósito de se estabelecer com uma escola de surf e stand up paddle. Naquela altura tinha uma carreira no setor da banca, mas as condições ideais para a prática desportiva no mar aliciaram-no a mudar de rumo. A partir do conhecimento que tinha começou a dar aulas de surf e de SUP até que se aventurou a abrir um espaço dedicado a estas duas modalidades. 

Apesar do surf ainda conquistar mais gente, o paddleboarding já reúne muitos praticantes. «O SUP é muito mais acessível a qualquer pessoa, desde crianças a idosos, com estruturas físicas diferentes. É relativamente fácil de se praticar. Eu tenho clientes com quase 80 anos. Mas fazer surf, que é uma coisa mais radical, a partir dos 60 anos não é muito fácil, nem é indicado», diz o responsável, confessando ainda que aparece muita gente na sua escola para fazer paddle que nem sabe nadar. «Se caírem à água têm o colete salva-vidas e portanto sabem que estão em segurança e vão ficar a flutuar».

Para quem está mais à vontade no mar e procura um paddle mais agressivo em que possa aperfeiçoar a técnica de controlo da prancha, pode também experimentar SUP race, mais rápido e competitivo, ou SUP wave, que implica ter mais equilíbrio, porque aqui o efeito das ondas já conta.

Contudo, segundo Nick Evans, quem pratica stand up paddle, normalmente, fá-lo também para alcançar alguma paz de espírito e em tempo de pandemia a SurfnPaddle verificou um aumento na procura. «As pessoas vêm stressadas do trabalho ao final da tarde e quando vão fazer as aulas querem relaxar e desligar dos problemas. É uma espécie de terapia. Entras no mar stressado e sais feliz. Aqui não há trânsito, só há água», brinca. 
A reboque desta busca por boas práticas de relaxamento surge também o SUP ioga, uma modalidade ainda pouco explorada em Portugal que alia o paddle à meditação.

«O ioga em si não é uma coisa nova, mas não havia ninguém a fazê-lo em cima de uma prancha e, por isso, comecei a introduzir o SUP ioga em Cascais há quatro anos. Comprei aquilo a que se chama uma estrela do mar, uma plataforma insuflável, com pranchas de paddle mais estáveis e mais largas para as manobras de ioga, onde cabem até 16 pessoas. O instrutor fica no meio e os alunos ficam à volta», detalha Nick.

Assim, podem ser feitos no mar todos os exercícios que se fazem no interior de um estúdio de ioga. A diferença é que aqui o cenário é mais agradável e propício à meditação. «É um autêntico refúgio. Tens o barulho da água, o sol, sente-se o vento... É um momento diferente e que pode ser partilhado em família ou com amigos». Além disso, como não é num ambiente fechado, permite ser feito com muitas pessoas ao mesmo tempo e com o distanciamento necessário, o que nos tempos que vivemos pode ser mesmo uma mais valia.

OUTROS LOCAIS DE SUP

De norte a sul, em mar ou em rio, o que não falta são águas calmas para se praticar stand up paddle. E há sítios onde os passeios em cima da prancha a dar ao remo levam a grutas e a areais desconhecidos.

Vila do Conde. Aloha Surf & Sup School Vila do Conde é um destino privilegiado, localizado perto do Porto que oferece uma paisagem singular, com rio e mar na mesma cidade. Na escola Aloha Surf & Sup School, as aulas de SUP tem uma duração de cerca de 2h30, incluindo o aquecimento e mais de uma hora e meia dentro de água.

Vila Nova de Milfontes. SW SUP A SW SUP dedica-se à prática de Stand Up Paddle (SUP) na zona de Vila Nova de Milfontes, no Alentejo, onde há condições ideais (rios, lagoas, barragens, praias). Esta  é a única escola desta modalidade certificada pela Federação Portuguesa de Surf na região.

Beira Alta. Sup in River A Sup in River, situada no região da Beira Alta e paredes meias com a Serra da Estrela, oferece aos seus clientes a possibilidade de experienciar o interior de Portugal de uma forma inovadora, com a organização de passeios no rio, através do Stand Up Paddle nos rios Vouga, Dão, Mondego ou Alva. 

Coimbra. Coimbra Stand Up Paddle O clube Coimbra Stand Up Paddle está instalado no Centro Náutico do Parque Verde do Choupalinho, na margem esquerda do rio Mondego, em Coimbra, num local privilegiado para a pratica de SUP,  reunindo, em simultâneo, condições excecionais de beleza, conforto e segurança.

Vila do Bispo. Salema ECO Camp O Salema ECO Camp, em Budens, Vilar do Bispo, tem atividades de SUP para os seus visitantes, que começa com uma viagem de barco com paragem numa área tranquila para a prática de paddle. Segue-se uma pequena tour até à praia e há ainda tempo para fazer snorkel ou mergulho.

Sesimbra. Meira Pro Center O Meira Pro Center, em Sesimbra, propõe um passeio circular sempre junto à costa com início na Praia do Creiro, junto ao Portinho da Arrábida e que se alonga mediante a força da corrente e do vento até às praias de Galapinhos e Coelhos. Após uma paragem no areal volta-se ao ponto de partida.​