Economia

Virgílio Lima 'esconde' contas de 2020

Associação Mutualista Montepio Geral pediu um adiamento para a apresentação de contas consolidadas, mas prazo termina a 30 de setembro. Para cumprir timing tem de ter convocar AG 15 dias antes.


A Associação Mutualista Montepio Geral (AMMG) ainda não apresentou as contas consolidadas referentes a 2020. De acordo com os estatutos, a entidade liderada por Virgílio Lima já deveria ter apresentado os resultados no final de março, mas tal como o Nascer do SOL avançou, o atual presidente pediu o adiamento face ao cenário de pandemia, que terminará a 30 de setembro. Um prazo que está prestes a derrapar, uma vez que o presidente da Mutualista terá de convocar a Assembleia-Geral com 15 dias de antecedência para divulgar os resultados do ano passado, ou seja, até à próxima quarta-feira.

 O nosso jornal sabe que a par do ‘buraco’ referente aos resultados, que deverão rondar perdas na ordem dos 100 milhões de euros, Virgílio Lima está à espera que a Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF) se pronuncie em relação à lista que apresentar para se manter na liderança da associação.

Recorde-se que depois de ter sido entregue as quatro listas para a corrida à Associação Mutualista Montepio Geral coube à entidade liderada por Virgílio Lima fazer um relatório individual e depois coletivo de cada membro da lista. A partir daí, essa avaliação foi para as mãos da Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF) que terá de fazer a avaliação da adequação e da idoneidade de cada elemento da lista. Isto significa que, o regulador de seguros terá de avaliar a formação académica de cada candidato, a sua experiência, assim como a sua experiência em adequação financeira e idoneidade, ou seja, se há existência de processos judiciais.

O Nascer do SOL sabe ainda que a ASF pediu a Virgílio Lima um relatório sobre a estratégia da associação para os próximos 10 anos, no entanto, foi entregue apenas um documento, uma vez que o atual presidente entendeu que não teria a obrigação de o fazer.

 

Contagem decrescente

Este impasse surge, numa altura, em que a contagem para a campanha eleitoral para a liderança da Mutualista está prestes a começar, uma vez que as eleições irão ocorrer no final do ano e, desta vez, com uma novidade: o conselho de administração perdeu a exclusividade da lista A e as letras passam agora a ser atribuídas às listas que se candidatarem aos órgãos sociais por sorteio.

Tal como i avançou foram entregues quatro listas para a liderança da Associação Mutualista Montepio Geral (AMMG): uma que aposta na continuidade da atual administração, liderada por Virgílio Lima, e outras três de oposição.

A lista de continuidade conta com nomes como Virgílio Lima, Idália Serrão – que, tal como o Nascer do SOL avançou, teve de aceitar a alteração de pelouros determinada pela Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF), considerando que não tinha a adequação necessária para deter os pelouros financeiro e de contabilidade, mantendo atualmente a pasta das residências de idosos –, João Carvalho das Neves, Rui Heitor e Fernando Amaro como membros efetivos. Já Alípio Dias – que liderou o Banco Totta & Açores antes da compra pelo Grupo Champalimaud e foi administrador do BCP – e Luís Patrão, antigo presidente do Turismo de Portugal e ex-chefe de gabinete dos primeiros-ministros António Guterres e José Sócrates, completam a lista.

Depois de o fracasso das negociações para a constituição de uma lista única de oposição à atual liderança da associação mutualista de Virgílio Lima, surgiram mais três listas. Uma delas já tinha sido avançada pelo i e é composta por Eugénio Rosa, que vai contar com Ana Drago, António Couto Lopes, Catarina Homem, Luís Costa e Tiago Mota Saraiva. Ao que o i apurou, esta lista não identifica cargos, mas foi garantido que cada um dos nomes terá pelouros.

A terceira lista já era esperada e é composta por quadros internos do banco, dos nomes propostos para membros executivos conta para presidente João Vicente Ribeiro – que esteve ligada ao Pharol – Maria Eduarda Osório, Nuno Paramés, Pedro Gouveia Alves e Pedro Líbano Monteiro. Como membros não executivos surgem Paula Guimarães e Fernanda Freitas. Para o Conselho Fiscal, a proposta recai em Paulo Gil André, Tereza Fiuza e António Coutinho.

Já a quarta lista, apoiada por Ribeiro Mendes – que concorreu nas últimas eleições contra Tomás Correia –, conta com Pedro Corte Real (presidente), Miguel Coelho, Mário Valadas, Nazaré Ribeiro, Nuno Rolo, Marcelo Gama e Ana Nogueira.