Opiniao

Foi bonita a festa, pá!

Estes seis anos foram o máximo que se traduziu no mínimo. E, por muito que as intervenções repetitivas da bancada socialista cansativamente salientassem as conquistas, tudo sabe a pouco quando o país está assim.


Há um mês, aqui neste mesmo espaço, usei o título de um filme muito interessante para ilustrar o que pensava ir acontecer. Exatamente Goodbye mr. Chance.»

A relação entre o Dr. António Costa e os partidos com os quais tinha conseguido governar estava desfeita.

Avaliando resultados políticos, não restavam dúvidas de que o PS tinha sido o grande beneficiário. Sem maioria própria ocupava o poder, influenciava os acontecimentos, conseguia impor políticas, tinha a Europa com ele.

Fazia concessões, fazia.

O conforto parlamentar não o deixava ir mais além. Portugal continuava a crescer menos, a ser ultrapassado, a adiar decisões essenciais, mas era simpático para os setores mais radicais, satisfazia os pequenos nadas que a comunicação social ampliava.

O Governo era, para os apoiantes, uma canção de intervenção. 

Durante muito tempo, a esquerda, esquerda, imaginou vencer, lucrar com o adquirido, beneficiar da consideração social e esperava ser recompensada no momento da verdade.

Assim não aconteceu. As eleições autárquicas foram uma desgraça. 

Ingratos, os urbanos fugiram.

E, portanto, chegaram à conclusão de que ou mudavam de vida ou ficariam pelo caminho.

Logo, pensaram ser urgente aumentar a pressão, tornar mais clara a exigência, confrontar o Partido Socialista com os limites europeus. 

Ao fim e ao cabo, nada os unia neste particular. 

E assim trouxeram para o debate questões verdadeiramente fraturantes.

O dr. Costa agradeceu.

Interna e externamente tentou afirmar a ideia do partido de Governo responsável.

E a partir daí deixou-se levar na onda.

Endureciam as esquerdas, resistia o PS.

Aos seus compagnons de route restava a denúncia da inflexibilidade.

Ao PS restava a tentativa de responsabilizar estes pelo chumbo do Orçamento.

Ou seja, abrir caminho a eleições isentando-se de culpa.

E esta estratégia servia, ao mesmo tempo para situar o debate entre quem convinha e fazer esquecer o centro a direita que marcadamente tinham obtido ganhos eleitorais.

Por isso mesmo, o resultado não podia ser outro.

E agora? Salvaram os partidos de esquerda esquerda a face? É o PS a vítima reconhecida?

Depende. Principalmente do modo como o PSD e o CDS se reconfigurarem. 

Se continuarem no mesmo registo verão a direita crescer.

Se um sopro de novidade os animar talvez consigam repercutir os resultados locais nos nacionais.

Tudo também dependerá da força da evidência, sentida pelo eleitorado, da impossibilidade de um acordo de Governo entre quem se não entende quanto às questões essenciais.

Para concluir que estes seis anos foram o máximo que se traduziu no mínimo.

E, por muito que as intervenções repetitivas da bancada socialista cansativamente salientassem as conquistas, tudo sabe a pouco quando o país está assim.

Foi bonita a festa, pá! Como dizia Chico Buarque.

Acabou.

Se D. Pedro, duque de Coimbra, nos visitasse voltaria a escrever que «havia sobejos motivos para que os que viviam no reino quisessem emigrar e para que os que estavam fora não quisessem para ele vir».
Ao Presidente da República resta dar oportunidade, aos que ainda por aqui se encontram, de escolher. Já.