Economia

BdP. Economia deve crescer 4,8% em 2021 e 5,8% em 2022

Para a entidade liderada por Mário Centeno trata-se da "recuperação mais rápida das últimas crises”. Emprego vai subir 2,5%, atingindo para "níveis melhores que os pré-pandémicos". Exportações  crescem 9,6% em 2021 e "apresentam uma forte recuperação ao longo do horizonte de projeção".

 

BdP. Economia deve crescer 4,8% em 2021 e 5,8% em 2022

A economia portuguesa deverá registar um crescimento forte em 2021 (4,8%) e 2022 (5,8%), após uma queda histórica em 2020 (-8,4%). Os dados foram revelados esta sexta-feira pelo Banco de Portugal, considerando “recuperação a mais rápida das últimas crises”. No entanto, admite que, ao longo do restante horizonte de projeção, o ritmo de expansão será mais moderado em 2023 e 2024 (3,1% e 2%).

O Produto Interno Bruto (PIB) retoma o nível pré-pandemia na primeira metade de 2022. Em 2024, a atividade económica situar-se-á cerca de 7% acima de 2019, implicando perdas contidas face à tendência projetada antes da pandemia. “As atuais projeções revêm em alta o crescimento da economia em 2022-23 face ao projetado em junho (0,2 e 0,7 pp, respetivamente), mantendo-se inalterada a estimativa para 2021 publicada em junho e outubro”, diz o Boletim Económico.

De acordo com a entidade liderada por Mário Centeno, “ trajetória de crescimento é suportada pela manutenção de condições financeiras favoráveis e pela aplicação de fundos da União Europeia”. Mas deixa um alerta: “No curto prazo, a atividade é condicionada por uma nova vaga da pandemia na Europa e pelos problemas nas cadeias de fornecimento globais”.

Já a inflação deverá aumentar em 2021 e 2022, para 0,9% e 1,8%, respetivamente, fixando-se em 1,1% e 1,3% nos dois anos seguintes, com uma evolução muito influenciada pela componente energética. No entanto, a projeção para a inflação foi revista em alta ao longo do horizonte face ao Boletim de junho, destacando-se a revisão em 2022 (0,9 pp).

Aumento do emprego

A recuperação da economia traduz-se num aumento do emprego e numa redução da taxa de desemprego para níveis melhores que os pré-pandémicos. “Em 2021, o emprego sobe 2,5%, projetando-se crescimentos de 1,6% em 2022 e de 0,4%, em média, no período 2023-24. Após o aumento ligeiro em 2020, a taxa de desemprego reduz-se, atingindo 5,6% em 2024”.

O consumo privado cresce 5% em 2021 e 4,8% em 2022, desacelerando para 1,8% em 2024. “Esta evolução é sustentada pelo crescimento do rendimento disponível real, por condições financeiras favoráveis e pela acumulação de riqueza ao longo da crise. A taxa de poupança reduz-se em 2021-22, após ter atingido 12,8% em 2020”.

O consumo público deverá crescer 4,8% em 2021, acelerando face ao ano anterior, e apresentar um crescimento mais moderado no período 2022-24

Por seu lado, a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) apresenta um crescimento elevado no horizonte de projeção: 4,9% em 2021, 6,9%, em média, em 2022-23 e 3,9% em 2024. O investimento beneficia do recebimento de fundos europeus, das perspetivas de recuperação da procura e de condições favoráveis de financiamento.

Exportações também sobem

As exportações crescem 9,6% em 2021, 12,7% em 2022 e 5,9%, em média, em 2023-24. As exportações de serviços apresentam uma forte recuperação ao longo do horizonte de projeção, sendo a componente da despesa com o contributo mais importante para o crescimento do PIB em 2022.

“O excedente da balança corrente e de capital aumenta de 0,2% do PIB em 2021, para um valor médio de 2,1% em 2022-24, devido à recuperação do turismo e à maior entrada de fundos europeus”, refere o documento.

Mas vai mais longe: “A economia portuguesa enfrenta importantes desafios nos próximos anos, sendo a resposta das políticas económicas crucial para um crescimento sustentado e uma retoma da convergência com a Europa”, acrescentando que “a execução eficiente dos projetos abrangidos pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e a implementação das reformas que lhe estão associadas constituem fatores essenciais para esse desígnio, pelos efeitos multiplicadores sobre a atividade e pelo impacto sobre o crescimento potencial. Esta é uma oportunidade única para potenciar o ritmo de crescimento de longo prazo da economia portuguesa”.

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