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Prova de vida na Câmara de Lisboa

A vitória de Carlos Moedas teve grande significado político: não compreender a profunda simpatia que os lisboetas têm pelo seu presidente recém-eleito é andar cego, surdo e mudo...


De um lado, temos um presidente da Câmara eleito com mais votos; do outro lado, temos mais vereadores. Carlos Moedas teve mais votos do que Fernando Medina o que o torna imediatamente o presidente eleito – assim é determinado pela legislação autárquica. Mas como não obteve a maioria dos vereadores eleitos, pode ter um problema de governabilidade. Não tendo sido feito um acordo de governação, resta negociar proposta a proposta e esperar pelo bom senso e razoabilidade de PS, PCP, Bloco, Livre e Independentes (as forças políticas que elegeram vereadores em Lisboa).

Carlos Moedas à frente da Coligação Novos Tempos ganhou a Fernando Medina, uma prova inequívoca da profunda rejeição que os lisboetas mostraram pelo antigo autarca: este foi apenas eleito para um mandato e perdeu as eleições para um segundo.

Carlos Moedas cometeu uma proeza, a sua vitória teve grande significado político: não compreender a profunda simpatia que os lisboetas têm pelo seu presidente recém-eleito, é andar cego, surdo e mudo às pessoas na rua. 
Todavia, foi mesmo isso que sucedeu no último mês quando a esquerda negou Moedas três vezes, tantas como Pedro negou Cristo.

No executivo, chumbaram-lhe a proposta de alteração do programa de Renda Acessível. Na Assembleia Municipal, aprovaram uma recomendação do Bloco para retomar o anterior modelo de vacinação. E aprovando agora a proposta do PS/Livre para a suspensão imediata de novos alojamentos locais.

Se PS, PCP, Bloco, Livre e Independentes aceitarem a vontade democraticamente expressa pelas pessoas, compreendem que não podem tentar fazer entrar pela janela aquilo a que os lisboetas fecharam a porta. Talvez fosse melhor dar ouvidos aos conselhos avisados de António Costa que ganhou a Câmara em 2007, 2009 e 2013 que no dia seguinte às eleições declarou: «A vontade dos lisboetas foi a de mudar a liderança da Câmara. (…) É a chamada alternância democrática».

Apesar destes sinais de inconformismo da esquerda com a derrota eleitoral, também temos de enquadrar estas ações no momento político que vivemos: saímos diretamente de umas eleições autárquicas para a dissolução da Assembleia da República. Ou seja, passámos imediatamente para o período pré-eleitoral sem direito a estado de graça.

A verdade é que PS, mas sobretudo PCP, Bloco e Livre estão na Câmara de Lisboa a fazer prova de vida para as eleições legislativas de 30 de janeiro. Após os resultados eleitorais, é de esperar uma clarificação, a qual pode ser de dois sentidos: ou Rui Rio ganha e percebem de vez que o panorama político mudou e moderam-se. Ou ganha António Costa e nesse caso, vão ribombar os tambores com redobrada força…

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