Economia

Governo otimista com revisões em alta

Costa diz que são boas notícias a revisão em alta das projeções económicas para o próximo ano por parte do Banco de Portugal (BdP).


Portugal está a «conseguir recuperar desta crise rapidamente». A garantia foi dada por António Costa depois do Banco de Portugal ter revelado que a economia portuguesa deverá registar um crescimento forte em 2021 (4,8%) e 2022 (5,8%), após uma queda histórica em 2020 (-8,4%). No entanto, admite que, ao longo do restante horizonte de projeção, o ritmo de expansão será mais moderado em 2023 e 2024 (3,1% e 2%).

«São boas notícias. É sinal que, felizmente, estamos a conseguir recuperar desta crise rapidamente. O conjunto de medidas que foram adotadas para evitar o colapso das empresas, do emprego e do rendimento foram essenciais para que hoje, apesar da situação que estamos a viver, já tenhamos este ano um forte crescimento, que vai aumentar no próximo ano», disse o primeiro-ministro.

Também o ministro das Finanças afirmou que as previsões macroeconómicas do Banco de Portugal (BdP) são mais otimistas do que as do Governo para 2022 e que confirmam que a atual situação política não coloca em causa a confiança das instituições.

De acordo com os dados divulgados pelo banco central, o Produto Interno Bruto (PIB) retoma o nível pré-pandemia na primeira metade de 2022. Em 2024, a atividade económica situar-se-á cerca de 7% acima de 2019, implicando perdas contidas face à tendência projetada antes da pandemia. «As atuais projeções revêm em alta o crescimento da economia em 2022-23 face ao projetado em junho (0,2 e 0,7 pp, respetivamente), mantendo-se inalterada a estimativa para 2021 publicada em junho e outubro», disse o Boletim Económico.

De acordo com a entidade liderada por Mário Centeno, «trajetória de crescimento é suportada pela manutenção de condições financeiras favoráveis e pela aplicação de fundos da União Europeia». Mas deixa um alerta: «No curto prazo, a atividade é condicionada por uma nova vaga da pandemia na Europa e pelos problemas nas cadeias de fornecimento globais».

Já a inflação deverá aumentar em 2021 e 2022, para 0,9% e 1,8%, respetivamente, fixando-se em 1,1% e 1,3% nos dois anos seguintes, com uma evolução muito influenciada pela componente energética. No entanto, a projeção para a inflação foi revista em alta ao longo do horizonte face ao Boletim de junho, destacando-se a revisão em 2022 (0,9 pp).
A recuperação da economia traduz-se num aumento do emprego e numa redução da taxa de desemprego para níveis melhores que os pré-pandémicos. «Em 2021, o emprego sobe 2,5%, projetando-se crescimentos de 1,6% em 2022 e de 0,4%, em média, no período 2023-24. Após o aumento ligeiro em 2020, a taxa de desemprego reduz-se, atingindo 5,6% em 2024».

O consumo privado cresce 5% em 2021 e 4,8% em 2022, desacelerando para 1,8% em 2024. «Esta evolução é sustentada pelo crescimento do rendimento disponível real, por condições financeiras favoráveis e pela acumulação de riqueza ao longo da crise. A taxa de poupança reduz-se em 2021-22, após ter atingido 12,8% em 2020».

O consumo público deverá crescer 4,8% em 2021, acelerando face ao ano anterior, e apresentar um crescimento mais moderado no período 2022-24

Por seu lado, a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) apresenta um crescimento elevado no horizonte de projeção: 4,9% em 2021, 6,9%, em média, em 2022-23 e 3,9% em 2024. O investimento beneficia do recebimento de fundos europeus, das perspetivas de recuperação da procura e de condições favoráveis de financiamento.

Exportações sobem 
As exportações crescem 9,6% em 2021, 12,7% em 2022 e 5,9%, em média, em 2023-24. As exportações de serviços apresentam uma forte recuperação ao longo do horizonte de projeção, sendo a componente da despesa com o contributo mais importante para o crescimento do PIB em 2022.

«O excedente da balança corrente e de capital aumenta de 0,2% do PIB em 2021, para um valor médio de 2,1% em 2022-24, devido à recuperação do turismo e à maior entrada de fundos europeus», refere o documento.

Mas vai mais longe: «A economia portuguesa enfrenta importantes desafios nos próximos anos, sendo a resposta das políticas económicas crucial para um crescimento sustentado e uma retoma da convergência com a Europa».
E acrescenta: «A execução eficiente dos projetos abrangidos pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e a implementação das reformas que lhe estão associadas constituem fatores essenciais para esse desígnio, pelos efeitos multiplicadores sobre a atividade e pelo impacto sobre o crescimento potencial. Esta é uma oportunidade única para potenciar o ritmo de crescimento de longo prazo da economia portuguesa».