Economia

Passagem de ano. Restrições favorecem turismo rural

Na região do Alentejo já é “quase impossível” encontrar algum lugar disponível em turismo rural para a passagem de ano. Situação não muito diferente no Centro nem no Algarve, em que esta opção pode ser uma alternativa. Mas se as medidas restritivas do início do mês já fizeram estragos, estas poderão levar a ainda mais cancelamentos.


Com as novas medidas anunciadas pelo Governo esta terça-feira, o setor do turismo pode estar mais limitado com a obrigatoriedade de teste negativo nos estabelecimentos turísticos e de alojamento local a partir de dia 26. Quem pode ganhar mais com estas restrições é o turismo rural, que permite um tipo de convívio mais restrito e isolado. É o caso do Alentejo, em que a passagem de ano já estava a ser programada assim. Ao Nascer do SOL, Vítor Silva, presidente do Turismo do Alentejo e Ribatejo já tinha garantido: “Está cheio”.

E, para este fim de ano, “as unidades hoteleiras e o turismo rural têm taxas de ocupação muito boas até agora”.

As boas perspetivas, garante, estendem-se também ao Natal “porque há muitas unidades hoteleiras que abrem para o Natal porque, às vezes, há famílias numerosas que vêm passar a consoada numa unidade hoteleira e turismo rural”.

Um segmento que, aliás, principalmente na zona do litoral, está cheio. “Neste momento para a passagem do ano é quase impossível encontrar algum sítio vazio. As unidades maiores têm mais disponibilidade. As mais pequenas é quase impossível. Principalmente aquelas que servem o jantar ou onde é possível cozinhar”.

No centro do país, Pedro Machado, presidente do Turismo Centro de Portugal, já tinha dito ao nosso jornal não ter dúvidas de que as medidas restritivas afetariam a época festiva. E os cancelamentos são uma realidade. No entanto, nem tudo são más notícias. Apesar disso acredita que “é possível que este período registe números mais positivos do que os do ano passado”.

Sobre zonas, Pedro Machado diz que só uma análise mais aprofundada o poderá dizer mas “há destinos na região centro que se destacam pela positiva nas taxas de ocupação”. Falamos da sub-região Beiras e Serra da Estrela que “apresentam taxas de ocupação assinaláveis, com a indicação de que muitas unidades estão com a lotação esgotada, ou muito perto disso, para a passagem de ano”.

Ao i, o presidente do Turismo do Algarve, João Fernandes, explica que esta tendência também está a acontecer no Natal e no Ano Novo, apesar de ser uma tendência já de toda a pandemia. “Todos os concelhos do Algarve com territórios do interior e sobretudo durante a pandemia – e nos territórios de baixa densidade tem um especial apelo – conseguiram granjear uma procura crescente nomeadamente os alojamentos locais e alojamentos de turismo rural tiveram um melhor desempenho do que as zonas mais tradicionais de procura”, diz, acrescentando que “é um fenómeno desde o início da pandemia”.

Mas que acontece também nesta época festiva: “Também se vê não só no ano novo mas também no Natal, famílias que prolongam a sua estadia durante as festas porque pretendem fazê-lo nesse ambiente familiar e de forma mais privada e optam não só no interior mas também no litoral por moradias que permitam esse ambiente de família, mais isolados”.

Sobre as novas medidas, que considera “equilibradas” para o setor do alojamento turístico, João Fernandes pede especial atenção aos bares e discotecas: “Salientamos preocupação e esperemos que estes apoios que foram anunciados cheguem rapidamente às empresas que encerram por um período prolongado e fizeram já investimentos para poder ter portas abertas neste período que normalmente é de grande procura e de receitas que permitiria colmatar o déficit acumulado”.

Quem mais pode perder Ao nosso jornal, os turismos de Lisboa e Porto e Norte já tinham garantido que as medidas que tiveram início a 1 de dezembro afastaram pessoas e, agora, com medidas mais apertadas, o desfecho poderá ser pior.

O mês de dezembro, que é o “balão de oxigénio para atravessar o inverno” como lhe chama Cristina Siza Vieira, vice-presidente executiva da Associação da Hotelaria de Portugal (AHP) já tinha admitido que, com as medidas do início do mês, “a procura tem vindo a diminuir”.

A responsável já tinha dito ao Nascer do SOL que não contava que o Governo avançasse com novas restrições mas viu as voltas trocadas esta terça-feira. É que já na semana não tinha dúvidas: Se o Governo chegar a avançar com novas restrições, “estaremos perante uma situação muito complicada para a hotelaria nacional”.

E acrescentava que há situações que são particularmente preocupantes como é o caso de no norte e no Algarve, onde as Autoridades de Saúde Regionais Locais estão a desaconselhar a realização de eventos que promovam a aglomeração de pessoas. “Este anúncio feito esta semana já começou a trazer cancelamentos à hotelaria. Quer no Algarve, maior região turística nacional onde os cancelamentos, a continuarem, trarão grandes prejuízos à economia da região e ao país, quer no norte”. A situação poderá agora piorar.

Na capital, se o efeito negativo já era sentido antes, agora poderá ser pior. Vítor Costa, diretor geral da Associação Turismo de Lisboa (ATL) e presidente da Entidade Regional de Turismo da Região de Lisboa disse ao nosso jornal não ter dúvidas que “há um abrandamento da recuperação que se tem vindo a sentir desde meados do verão, incluindo cancelamentos de reservas nos setores do alojamento e da restauração, devido à última vaga da pandemia”.

Assumindo que esta não é uma consequência exclusiva das medidas impostas pelo nosso Governo, Vítor Costa diz que “resulta também do clima geral nos mercados emissores europeus e das diversas restrições adotadas pelos respetivos governos”.

Questionado sobre como está a taxa de ocupação na região para a altura da última noite do ano, Vítor Costa diz que “estamos num processo de recuperação que se viu agora abrandar por ocasião da mais recente vaga pandémica, que influenciou os mercados nacionais e internacionais”. Assim assim, há a esperança que 2021 tenha “um melhor desempenho face ao período homologo, estando certos de que este permanece longe do desejável”.

Já no caso do Norte, Luís Pedro Martins, presidente do Turismo Porto e Norte, com os dados que existem neste momento, é possível “acreditar que os índices de atividade turística no Natal e na Passagem de Ano deste ano sejam superiores aos dados de 2020”.

No entanto, as restrições e a evolução da pandemia podem ser um problema. “Caso não tivesse surgido esta nova variante, o desempenho do destino Porto e norte esperava-se francamente positivo”, disse o responsável ao Nascer do SOL.

E garantiu que, de acordo com o feedback que vai tendo da hotelaria da região “tem verificado uma oscilação no comportamento das reservas de alojamento, isto é, há cancelamentos, mas ao mesmo tempo são feitas mais reservas”.