À esquerda e à direita

Rio imune aos seus disparates

O PS cheira a cansaço e Rio poderá acabar como chefe de Governo. E, confesso, Rui Rio é mesmo um caso de estudo. 


1.Penso que hoje será difícil não se conhecer alguém que esteja com covid, pelo menos nas grandes cidades. O raio do vírus espalha-se a uma velocidade impressionante e só nos resta estar constantemente a fazer testes de despistagem. Conheço várias pessoas que vão passar esta época festiva sozinhas, pois ou apanharam a covid ou estiveram em contacto próximo com alguém infetado. Será, seguramente, um Natal e Fim de Ano diferentes para muita gente, embora já tenhamos um milhão de portugueses que vivem sozinhos, segundo o último Censos. 

Tendo em conta o cenário, a projeção de 60 mil casos diários em Portugal da Universidade de Washigton, que tem acertado em muitas das suas previsões, não augura nada de bom, a não ser que a Omicron é muito menos letal que as versões anteriores do vírus e que implicará menos internamentos. Mas os sinais dados, um pouco por todos nós, também têm contribuído para a ‘festa’. Olhando, por exemplo, para o último Congresso do PSD, foi impressionante constatar que os principais políticos do partido foram entrevistados à porta do evento, sem máscara, estando os jornalistas encavalitados uns nos outros e também sem máscara. Não é um bom cartão de visita para o comum dos mortais. Já no interior do pavilhão, os sociais-democratas cumprimentavam-se com apertos de mão, o que também não é muito bom exemplo. E não estou a culpar aqueles políticos, eu próprio cumprimento muitos amigos com aperto de mão, apesar de ficar com peso na consciência e lavar logo as mãos com álcool.

Quero dizer com isto que, muitos de nós, baixámos algumas defesas, quando devia ser o contrário. Talvez porque tenhamos a ideia de que esta variante é muito menos perigosa e que os internamentos e mortes são, para já, muito inferiores a um passado recente.

E é neste ambiente que o Governo decide coisas completamente contraditórias. Fecha as discotecas, mas permite festas em pavilhões com mais de três mil pessoas na Passagem de Ano. Mas que sentido faz isto? E não estou contra a realização das mesmas, mas se uns podem os outros também têm de poder. É tão simples como isso.

2. Rui Rio foi reconhecido, mesmo pelos adversários, como o grande líder do partido e o homem que deverá chegar a primeiro-ministro, isto se conseguir ganhar as eleições de 30 de janeiro. O PS cheira a cansaço e Rio poderá acabar como chefe de Governo. E, confesso, Rui Rio é mesmo um caso de estudo. O homem pode dizer e fazer os maiores disparates que continua a ganhar eleições. A história da prisão de João Rendeiro só ter acontecido por causa da proximidade das eleições não lembra ao careca. Mas, como digo, Rio tem uma estrela que o ilumina e Costa está cada vez mais a perder o pé, e talvez se prove mais uma vez que não é o partido da oposição que ganha eleições, mas sim quem está no poder que as perde.

3. A nomeação do vice-almirante Gouveia e Melo para Chefe de Estado Maior da Armada também tem matéria para um estudo sobre ‘trapalhadas’ políticas. Depois de todo o imbróglio passado, eis que o chefe da Casa  Militar do Presidente da República vota contra a nomeação do ex-homem forte da task force. Com que imagem ficarão as pessoas que gostam de política? Que o conselheiro de Marcelo Rebelo de Sousa não gosta de Gouveia e Melo e que transmite essa ideia ao Comandante Supremo das Forças armadas? Fará isto algum sentido?

4. Fez muito bem a ministra da Saúde em não ter aceite a demissão dos responsáveis do Hospital de S. João, no Porto. Que culpa têm os responsáveis que um doente inconsciente tenha acendido lume ao lado de botijas de gás? Agora somos responsáveis por atos tresloucados? Não consta que o hospital não cumpra as medidas de segurança e, como sabemos, é impossível ter um funcionário ao lado de cada cama dos doentes para que estes não façam disparates.

Bom Natal e Boas Festas.

vitor.rainho@nascerdosol.pt

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