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O certo e o imprevisível nas eleições

Nas próximas eleições legislativas, as alternativas são duas: insistir no PS  ou mudar para o PSD, evitando mais um pântano político...

O certo e o imprevisível nas eleições

Por António Prôa

Nestas eleições elegem-se os deputados para a Assembleia da República, mas também se decide o futuro primeiro-ministro. À primeira vista, a escolha é entre António Costa e Rui Rio, mas pode ser diferente no caso do PS. A falta de clareza do líder socialista em relação aos cenários eleitorais mais prováveis torna imprevisível a atitude do PS perante esses possíveis cenários.

Quanto aos programas apresentados, a previsibilidade é total: as propostas sociais-democratas são inequívocas no virar de página que representam face à degradação que o país sente e o programa socialista é a repetição das soluções aplicadas e, por isso, nesse caso, os portugueses podem ter como certo o arrastamento da situação a que o país chegou.

Rui Rio tem sido absolutamente claro na atitude perante os vários cenários prováveis. A sua atitude decorre da prioridade ao interesse nacional e da necessidade de Portugal ter um Governo que conceda a estabilidade política necessária para o país. Se vencer sem maioria absoluta, negociará a governabilidade com os demais partidos, de modo a permitir desenvolver o país. Se perder, estará disponível para dialogar, de boa-fé, procurando contribuir para a viabilização do Governo. Esta é a atitude responsável que os portugueses esperam dos políticos.

António Costa é um mar de incertezas, de equívocos e de meias-palavras em relação aos cenários eleitorais. Apenas é claro se tiver maioria absoluta. Sucede que a probabilidade de tal acontecer é residual. Perante os demais cenários nunca é claro. Perdendo, sai. Mas saindo, não diz o que fará o Partido Socialista e quem o sucederá. Ou seja, se António Costa sair a atitude do Partido Socialista é uma incógnita. Se o PS vencer sem maioria absoluta não é também claro se a ‘geringonça’ se repetirá com o mesmo ou um novo figurino. Também é equívoco quanto às cedências que o PS poderá fazer e a quem, ou, até, se está disposto a integrar o Bloco de Esquerda, ou o PCP ou até o PAN no Governo. O voto no PS tem consequências imprevisíveis. A falta de clareza de António Costa não promove a confiança.

Relativamente às propostas, António Costa é, no entanto, absolutamente previsível. Insiste nas políticas já aplicadas no país. Nas mesmas soluções que terão os mesmos resultados. As mesmas propostas que conduziram à crise política que se vive.

As opções tomadas por sucessivos governos socialistas (nos últimos 25 anos o partido socialista governou 19) provaram não resolver os problemas do país. Portugal tornou-se mais pobre em relação aos países da União Europeia (e foi ultrapassado, até por países que entraram recentemente na UE e que estavam mais atrasados), os serviços públicos degradaram-se e a carga fiscal aumentou. Esta é a ‘receita’ socialista.

Nas próximas eleições legislativas, as alternativas são duas: Insistir no Partido Socialista e ter como certa a continuação da degradação económica e social e o empobrecimento em relação aos países da União Europeia, mas a imprevisível atitude perante todos os cenários prováveis de configuração da Assembleia da República, ou mudar, virar de página, evitando mais um pântano político e escolher o Partido Social Democrata e Rui Rio com confiança e retomando a esperança.

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