Economia

Mulheres. Pandemia reforçou presença no setor terciário

Outros dados mostram ainda que cerca de 4 em cada 5 empresas analisam regularmente a paridade de género.


Há cada vez mais mulheres no setor dos serviços e a pandemia “veio obrigar muitas portuguesas a procurar novas formas de rendimento, recorrendo ao setor terciário e a novas atividades”. A garantia é da Fixando.

“Nos últimos anos, o número de mulheres que se inscrevem como prestadoras de serviços tem crescido sempre, comparativamente ao número de homens. E com a pandemia, as mulheres ultrapassaram pela primeira vez os homens, totalizando, em 2020, 52% das novas inscrições na nossa plataforma”, diz Alice Nunes, diretora de Novos Negócios da Fixando.

A responsável acrescenta que atividades como limpeza doméstica, serviços de beleza, cuidado de animais domésticos ou aulas particulares foram das que mais viram a sua oferta fortalecida por especialistas do género feminino.

A Fixando dá números e diz que conta atualmente com mais de 50 mil profissionais do setor terciário inscritos na sua plataforma. Desse valor, 49% dos quais são mulheres.

Alice Nunes não tem dúvidas que “é positiva a presença de mais mulheres em negócios e atividades que lhes permitam uma maior autonomia financeira”. E acrescenta que “muitas das atividades predominantemente prestadas por mulheres são de baixo rendimento, enquanto serviços como os de assistência técnica, em larga maioria prestados por homens, conseguem cobrar preços superiores, o que reflete a desigualdade salarial que ainda se verifica no paradigma português”.

Paridade de género Ainda no âmbito do Dia da Mulher, o estudo “#BreakTheBias - Gender Equity at Work” do ManpowerGroup revela que existe uma preocupação cada vez maior por parte dos empregadores com a equidade de género e a diversidade com 78% das empresas nacionais a medirem regularmente indicadores de paridade entre homens e mulheres. Destas, 57% medem a equidade salarial, 27% analisam o número de profissionais do sexo feminino em posições de gestão e 22%  em posições tradicionalmente dominadas por homens. Um total de 18% das empresas acompanham a percentagem de colaboradoras em posições de liderança.

“A forte redução do número de trabalhadores dedicados aos setores mais impactados pela pandemia - e tipicamente mais femininos –, como é o caso do retalho, da restauração ou da hotelaria, aliada à necessidade de as mulheres assumirem mais papéis familiares, como cuidadoras e educadoras, durante os confinamentos, provocou um retrocesso na paridade de género nas organizações”, diz Rui Teixeira, Chief Operations Officer do ManpowerGroup Portugal, acrescentando que “esta realidade veio evidenciar a necessidade de as empresas atuarem de forma ativa para corrigir este desequilíbrio, nomeadamente através da criação propostas de valor direcionadas e baseadas nas necessidades das suas colaboradoras, colocando assim toda a força de trabalho em condições de igualdade”.

Os dados mostram ainda que 51% dos empregadores nacionais têm metas definidas com vista a uma maior equidade salarial entre géneros na sua empresa e que 60% das empresas apostam nas políticas de trabalho flexível como via para alcançar os seus objetivos de diversidade e paridade.

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