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Noite, diversão e violência

O reforço dos meios de prevenção e de segurança através de efetivos policiais e de videovigilância dedicados às áreas de diversão noturna é urgente

Noite, diversão e violência

Será que mais um episódio de violência, mais uma morte à porta de uma discoteca em Lisboa é um custo bastante para travar esta chocante contradição entre diversão e agressão?

O que está a falhar na sociedade, nas famílias, na indústria da diversão noturna e nas autoridades públicas que permite que um jovem, quando sai à noite para se divertir, possa acabar agredido, num serviço de urgência de um hospital ou numa morgue?

O trágico episódio da morte de Fábio Guerra – um agente da PSP – na sequência de agressões à porta de uma discoteca em Lisboa é, infelizmente, mais um caso de violência na noite que deveria ser de diversão e foi, como acontece demasiadas vezes, de violência.

Uma morte num contexto que deveria ser de diversão é especialmente estúpida e intolerável. Mas a violência física ou verbal, a agressividade gratuita ou fútil é cada vez mais frequente na noite.

O intenso consumo de álcool e, em cada vez maior quantidade e variedade, de drogas, o prolongamento da noite e a tribalização são as causas mais diretas dos episódios de agressividade e de violência no que deveria ser a diversão noturna. E os rituais de consumo de álcool no início da noite precipitam os comportamentos agressivos.

Depois há outras causas mais complexas: o contexto familiar, o meio social e a formação pessoal, bem como a desadequada regulação, a insuficiente fiscalização e a escassa vigilância.

Não há uma solução simples ou única. Mas nem por isso, como parece ser, é inevitável. Mais, não pode merecer passividade e exige uma atitude concertada e empenhada, o que, manifestamente, não tem sucedido.

A passividade ou a conformação com que se tem observado os cada vez mais frequentes e graves casos de violência em contexto de diversão noturna não podem ser admissíveis.

A responsabilização das famílias, a sensibilização para comportamentos mais responsáveis e a censura perante a violência têm de ser um compromisso da sociedade.

O controlo da venda e de consumo de álcool, o planeamento urbano das zonas de diversão noturna, o compromisso dos estabelecimentos e a adequação da respetiva regulação, os horários de funcionamento e a sua fiscalização têm de ser mais efetivos.

O reforço dos meios de prevenção e de segurança através de efetivos policiais e de videovigilância dedicados às áreas de diversão noturna é urgente.

As autoridades públicas – locais e nacionais – têm a obrigação de agir. Pode não haver uma solução imediata totalmente eficaz, mas é insuportável a angústia de quem sai à noite e das suas famílias por viverem em sobressalto na expectativa da violência e do risco de consequências graves.

A diversão noturna pode e deve ser isso mesmo – diversão – e não violência. A sociedade e os agentes do setor têm o dever de se mobilizarem e as autoridades públicas têm a obrigação de garantir a segurança suficiente. Urgentemente!

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