Sociedade

Como estão as barragens? Água está a voltar a descer

Em Castelo de Bode, a água subiu seis metros desde a altura mais crítica, mas já está a descer de novo.


Com o verão à porta, as barragens nacionais continuam a acusar o ano mais seco e se a suspensão da produção de eletricidade e a chuva da primavera deu alguma folga, os níveis ainda estão longe dos de há um ano. 

Na Barragem de Castelo de Bode, a água subiu cerca de seis metros desde o momento mais crítico 14 de fevereiro, quando a cota chegou a recuar aos 106,12 metros, o nível mais baixo desde 2001. Segundo a monitorização do Sistema Nacional de Monitorização de Recursos Hídricos (SNIRH), que o i consultou, este domingo o nível da água encontrava-se nos 112,03 metros, mas já a descer de novo nesta primeira quinzena de junho, o que já não acontecia desde que foram tomadas medidas – não só a produção de eletricidade mas a redução do caudal ecológico depois da subida da lampreia e enguia.

O caudal turbinado continua em valores mínimos mas mesmo assim a água dificilmente recuperará este verão, sendo que a APA fixou os 106 metros como mínimo crítico para que esteja garantida água para abastecer Lisboa durante dois anos. Há um ano, sem seca, a cota da albufeira estava nos 118,10 metros.

Na barragem do Alto Lindoso, onde a produção elétrica também foi interrompida a 1 de fevereiro, a cota estava este domingo nos 290,16 metros. A cota mínima atingida este ano foi de 287,06m a 18 de janeiro mas a recuperação também já está em trajetória descendente. Chegou a subir aos 294 metros em abril. Há um ano, a cota desta albufeira estava nos 323,23 metros.

Na barragem do Alto Rabagão,  a cota está nos 850,43 metros e também tem estado a descer paulatinamente desde maio. A cota mínima atingida este ano foi de 850,21 metros, a 21 de janeiro. Há um ano, estava nos 874,53 metros.
Mais um exemplo: na albufeira de Tabuaço, onde a produção de eletricidade também foi interrompida, a cota tem tido oscilações, mas também continua abaixo do histórico. Está nos 532 metros, quando há um ano partia para o verão nos 550 metros.  

A falta de chuva não afeta só Portugal e a escassez de água levou Espanha a anunciar a redução dos caudais dos rios que entram em Portugal, o que complica ainda mais o cenário. O país invoca o regime de exceção devido à seca, que o isenta dos termos acordados na Convenção de Albufeira. E Portugal está do lado vulnerável da equação.

Na semana passada, o vice-presidente da Agência Portuguesa do Ambiente indicou que está a ser preparada uma reunião com os parceiros espanhóis para debater o regime de caudais, com a gestão na água na Península Ibérica a revelar-se mais uma dor de cabeça para os próximos meses e anos, ao mesmo tempo que as alterações climáticas tendem a tornar mais frequentes fenómenos extremos como ondas de calor. Nas últimas décadas, a precipitação em Portugal e Espanha diminui 15%, prevendo-se que diminua entre 10% a 25% até ao fim do século. 

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