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Futebol no feminino

Da igualdade de direitos e oportunidades entre homens e mulheres, saltou-se para a indiferenciação dos sexos – contrariando a biologia e todas as evidências.

Futebol no feminino

Um texto que escrevi há 15 dias sobre o futebol feminino provocou muitas reações – de apoio e de repúdio. O que mostra que é um tema que mexe com as pessoas.

Note-se que o artigo não era propriamente sobre o futebol feminino mas sobre a propaganda que se faz dele e com a qual somos constantemente bombardeados. Nos canais públicos, a toda a hora vemos publicidade ao futebol feminino. E isso torna-se incómodo porque, por detrás desses vídeos aparentemente inocentes, há um propósito escondido: a promoção da ‘ideologia de género’. Os seus difusores não estão preocupados com questões desportivas: apenas querem provar que as mulheres são exatamente iguais aos homens – e por isso podem fazer exatamente o mesmo que os homens, desenvolver as mesmas atividades, praticar os mesmos desportos.

Aqui reside a grande batalha do politicamente correto.

As feministas começaram por reivindicar a ‘igualdade de direitos’ entre homens e mulheres, a começar pelo direito de voto. Parecia uma reivindicação justa – e foi sendo aceite em muitos países. Da igualdade de direitos passou-se para a igualdade de oportunidades – e foi também aceite. Fazia pouco sentido que as mulheres tivessem menos oportunidades do que os homens em todos os domínios. Mas depois deu-se um salto no vazio: da igualdade de direitos e oportunidades passou-se para a igualdade pura e simples entre homens e mulheres.

Proclamou-se que não havia diferenças.

E portanto todos podiam fazer tudo, utilizar tudo, frequentar tudo independentemente do sexo. No limite, nem devia haver casas de banho para mulheres e casas de banho para homens – mas sim casas de banho para seres humanos.

Sucede que, deem-se as voltas que se derem, homens e mulheres são objetivamente diferentes. Mental e fisicamente diferentes. Assim, a igualdade vai ter de ser imposta à força, contrariando as próprias evidências. Sendo tão grandes as diferenças entre homens e mulheres, para as anular vai ser necessária uma enorme repressão. Que começará com as lavagens aos cérebros nas escolas.

Uma das leitoras que me criticaram achou delirante o facto de eu dizer que a tentativa de impor a indiferenciação entre os sexos conduziria a uma ditadura. Parecia-lhe uma parvoíce. Mas, depois de desenvolver os seus argumentos, afirmava que o meu texto era tão absurdo que não fazia sentido um jornal tê-lo publicado. Ou seja, se fosse ela a mandar, aquele texto não tinha saído. Tinha sido censurado. A mesma leitora que achava disparatado eu falar em ditadura… assumia que teria proibido a publicação do artigo, sem se dar conta da contradição em que caía.

A ideia de igualdade é, aparentemente, uma ideia generosa: quem tem coragem para defender as desigualdades? Mas, de facto, é uma ideia perigosíssima. Foi precisamente sobre o pretexto da igualdade que se impuseram ferozes totalitarismos.

O comunismo, na sua versão russa ou chinesa, baseava-se em quê? Qual era a justificação para os crimes de Estaline ou para a revolução cultural de Mao? Precisamente a destruição das desigualdades sociais e a imposição da igualdade entre todos os seres humanos.

Muitas pessoas, sem se aperceberem, estão a tornar-se agentes ativos de uma sociedade repressiva, onde não se pode falar em certos temas.

Nas manifestações de apoio de alguns leitores quando abordo assuntos denominados ‘fraturantes’, já pressinto um certo receio de falarem deles publicamente. Noto que as pessoas já se autocensuram na sua vida quotidiana, com medo de serem insultadas, ou mesmo prejudicadas, se falarem abertamente de certas coisas.

No tempo de Salazar havia os informadores, os chamados ‘bufos’, que ouviam as conversas e denunciavam os que professavam ideias contrárias à ordem estabelecida. Mas o que se está a passar aproxima-nos mais do tempo da Inquisição: são as pessoas que se denunciam umas às outras, que apontam o dedo aos hereges, que os atacam e os procuram censurar.

Evoluímos muito. Vivemos institucionalmente numa democracia. Mas de vez em quando percebemos que a repressão está instalada no âmago do ser humano.

Há medo na nossa sociedade. Há censura: certas pessoas são banidas para sempre das redes sociais por supostos ‘delitos de opinião’.

Somos hoje ideologicamente dominados por uma minoria muito ativa, pois a maioria, por medo, mantém-se silenciosa.

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