Desporto

Matheus Nunes. De padeiro a craque mundial

Nasceu no Rio de Janeiro mas aos 13 anos já estava em Portugal. Recusou jogar pela seleção brasileira, preferiu a portuguesa, e agora torna-se a transferência mais cara do Wolverhampton. Adeus Sporting.


Segundo rezam as crónicas, quando trabalhava na padaria da família chegou a pensar abandonar o futebol, pois estava um pouco desencantado com o esforço que fazia para jogar no Ericeirense, clube onde começou a cozinhar a sua carreira de futebolista.

A bola falou mais alto, e o rapaz que nasceu no Rio de Janeiro, Brasil, em 17 ou 27 de agosto de 1998 – as duas datas aparecem em biografias diferentes – acabaria por se transferir para o Estoril em 2018.

E foi no clube da Linha que Matheus Nunes chamou a atenção do Sporting, pois num jogo que fez em Alvalade parece que o rapaz deslumbrou. A sua ascensão acabaria por ser meteórica, pois apenas em três anos despertou o interesse do selecionador brasileiro, que o convidou para vestir a camisola do escrete, nome que dão à canarinha, vulgo seleção do Brasil.

Mas estávamos em plena pandemia e, por falta de vacinas ou por falta de vontade, o jogador optou por não ir, tendo depois aceite a convocatória de Fernando Santos para a seleção portuguesa, onde acabaria por marcar o seu primeiro golo contra a Turquia, a 24 de março de 2022.

Diz-se, e parece ser consensual, que o grande responsável pelo despontar de Matheus Nunes foi Rúben Amorim, o treinador que o presidente do Sporting foi buscar a Braga por 10 milhões de euros, verba que provocou grande alarido na altura. Mas Frederico Varandas acreditava cegamente nas apostas do novo treinador e chegou a profetizar sobre o jovem jogador.

“O Sporting tem 50 por cento do passe de Matheus Nunes e pagou 500 mil euros por essa parte. Tem a hipótese de comprar mais 40 por cento por outros 500 mil euros. Temos todo interesse em comprar. Ele custou 500 mil. Do que eu já vi do Matheus Nunes, como está a treinar hoje com os colegas como Battaglia, Doumbia, Vietto… Não tenho dúvidas nenhumas que vai pagar o Rúben Amorim. Só ele vai pagar o Rúben Amorim”, dizia o presidente do Sporting ao Canal 11, a 18 de maio de 2020.

Basta olhar para os 45 milhões de euros por que foi agora vendido aos ingleses do Wolverhampton, com mais cinco milhões por objetivos, para perceber que Varandas teve intuição. Na mesma altura, o presidente do Sporting profetizou que Rúben Amorim irá dar rapidamente o salto para um grande europeu. Talvez não esteja longe de acertar.

Mas voltemos a Matheus Nunes e ao seu novo clube, onde já estão inscritos para esta época 10 portugueses. Há mais, mas estão emprestados a outros emblemas. E aqui se percebe a força do empresário Jorge Mendes, que deve sonhar com uma espécie de seleção portuguesa a jogar no melhor campeonato do mundo de clubes, não havendo melhor montra do que essa para valorizar os seus ativos.

Até a equipa técnica, liderada por Bruno Lage, tem uma catrefada de lusos. Na brincadeira já se diz que se algum português estiver desempregado deve ir para a porta do estádio do Wolverhampton, havendo sérias hipóteses de ser contratado, nem que seja para roupeiro ou para o bar.

Sacanagens à parte, os jornais da especialidade dizem que Matheus não deve ficar muito tempo no Wolverhampton, pois será apenas uma passagem para uma grande equipa inglesa. É possível que sim. Jorge Mendes saberá, certamente.

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