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Sucessão de Eduardo Vítor agita PS no norte... e no sul

É dos autarcas mais carismáticos do PS e, por isso, dos mais difíceis de suceder. Mas não faltam candidatos, de todas as frentes internas do partido. Com o Largo do Rato também na mira.

Sucessão de Eduardo Vítor agita PS no norte... e no sul

Apesar das eleições para a liderança das federações e concelhias socialistas só estarem marcadas para o outono, os motores socialistas das próximas disputas internas já roncam e prometem aquecer. Prepara-se o terreno para 2025, pois em algumas distritais antecipam-se lutas que terão mais a ver com problemas locais, como as candidaturas autárquicas, do que propriamente lógicas nacionais, onde se opõem tendências internas do partido. Mas há casos em que tudo se conjuga e se joga.

No panorama das guerras pelo poder das câmaras municipais, os que estão de saída poderão ter a tentação de deixar os lugares aos seus delfins, mas não podem atravessar-se no caminho de quem tem poder efetivo para nomear os candidatos nas listas às autárquicas. Com este pano de fundo, salta à vista o norte do país, onde um dos processos mais difícieis de resolver é sucessão do carismático líder de Gaia, Eduardo Vítor Rodrigues.

O socialista foi eleito pela primeira vez presidente da Câmara de Vila Nova de Gaia, no distrito Porto, em 2013, tendo sido reeleito para um segundo mandato em 2017 e para um terceiro e último mandato em 2021. Assumiu uma Câmara que antes tinha sido presidida durante 16 anos pelo antigo líder social-democrata Luís Filipe Menezes e pintou o mapa concelhio totalmente de cor-de-rosa, tendo feito o pleno em 2017, ao conquistar uma maioria absoluta e quase dobrando o número de vereadores eleitos: conseguiu nove, quando em 2013 tinha conquistado cinco.

De saída da autarquia em 2025, já se apresentam no caminho três potenciais candidatos à sua sucessão. Ao que o Nascer do SOL apurou, João Paulo Correia, atual secretário de Estado da Juventude e do Desporto é, segundo fontes conhecedoras da realidade da concelhia, «o candidato preferido dos militantes».

Anterior presidente da união de freguesias de Mafamude e Vilar do Paraíso, a maior de Vila Nova de Gaia com cerca de 50 mil habitantes num universo de 300 mil gaienses, já deu provas da sua capacidade em conseguir resultados. Não esquecendo que é um nome próximo da ministra Adjunta, Ana Catarina Mendes, de quem foi vice-presidente do grupo parlamentar do PS na anterior legislatura, e que agora a acompanha como ministra na Secretaria de Estado do Desporto. 

Na outra frente de combate, está Miguel Lemos, sobrinho do histórico José Lemos, próximo da ala pedro nunista do PS e atualmente presidente da empresa municipal Águas de Gaia.

«Apesar de não evidenciar grandes ambições políticas, é um jovem com bastante experiência das lides partidárias. Para alguns, é mesmo esse o problema que tem: a ligação ao aparelho e a juventude que alia a uma baixa notoriedade», descreve uma fonte socialista ao Nascer do SOL.

A terceira, uma surpresa que tem vindo a evidenciar-se nas hostes socialistas: Marina Mendes, vereadora da Ação Social e da Educação na Câmara de Gaia, com proximidade às tendências internas mais conservadoras do partido. Em 2017, teve uma promoção visível ao passar de nona na lista do PS à Câmara para um relevante terceiro lugar, sendo a primeira mulher na lista.

Apesar de manter uma maior proximidade a Eduardo Vítor Rodrigues pelo trabalho desenvolvido em proximidade na Câmara, segundo apurou o Nascer do SOL, não desperta ainda nas bases a notoriedade necessária para conquistar o eleitorado e lhe suceder à frente da autarquia.

Perante estes três possíveis candidatos, na distrital do Porto liderada por Manuel Pizarro, o nome de João Paulo Correia parece ganhar peso. Mas nada está decidido. 

«Em 2025, o PS quer manter as câmaras que foi conquistando ao PSD e João Paulo Correia é o candidato que oferece melhor garantia de sucesso, porque alia os resultados eleitorais que já obteve na maior freguesia de Gaia à notoriedade e visibilidade que lhe deram as intervenções na comissão parlamentar do Novo Banco e a notoriedade do cargo que agora ocupa na secretaria de Estado», justifica a mesma fonte.

Depois, fica por saber qual a preferência de Eduardo Vítor Rodrigues. Mas alguns socialistas arriscam-se a adivinhar que o seu posicionamento deverá cair a favor do atual secretário de Estado da Juventude e do Desporto, dada «a amizade que o liga há décadas a João Paulo Correia», mas também pelo cargo que o autarca de Gaia assume na vice presidência da federação distrital do Porto, devendo alinhar pela posição de Manuel Pizarro.

Mas nem só no Norte a agitação se faz sentir. Em vésperas de rentrée socialista, ninguém quererá que disputas locais no PS abafem a tentativa de António Costa para relançar o Governo no arranque do ano legislativo e mostrar uma liderança arejada. As estruturas tudo farão para não ofuscar o regresso do líder, mas isso não significa que estejam suspensas as inimizades locais e a lealdade a Pedro Nuno Santos, que continua a estender a sua influência no aparelho socialista, de norte a sul.

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