A confirmação desta proeza do futebol português e em especial do talentoso madeirense está reservada para hoje, na gala anual da FIFA, em Zurique, mas o facto é que só um golpe de teatro poderia evitar a terceira coroação do avançado do Real Madrid com o prémio individual mais cobiçado do desporto-rei.
Nos últimos dias, ilustres figuras como Maradona, Shevchenko ou Robben pronunciaram-se a favor da atribuição da Bola de Ouro a Manuel Neuer, mas todas as principais casas de apostas dão o português como grande favorito, bem à frente dos outros finalistas, o guarda-redes alemão do Bayern Munique e o argentino Lionel Messi, estrela maior do Barcelona.
“Como pode ganhar alguém que não Ronaldo?”, questionava há dias o ex-guarda-redes Peter Schmeichel em declarações ao goal.com. “Ele esteve demasiado bem e vai levar o prémio para casa”, acrescentou o dinamarquês que brilhou no Manchester United e representou o Sporting na recta final da carreira.
Mesmo os apoiantes de Neuer, que tem a seu favor o título de campeão do mundo pela Alemanha, parecem não acreditar na vitória do seu preferido. Os feitos de Ronaldo em 2014 falam por si e nem a má campanha no Mundial do Brasil os consegue ofuscar.
O madeirense somou 61 golos em 60 jogos ao longo do ano e conquistou pelo Real Madrid a Liga dos Campeões, a Supertaça Europeia, a Taça de Espanha e ainda o Mundial de Clubes (este último troféu no mês passado, já depois de encerrada a votação a cargo de seleccionadores, capitães de equipas nacionais e jornalistas).
Para Messi deverá estar guardado o último lugar do pódio. Apesar de ter chegado com a Argentina à final do Campeonato do Mundo – onde foi considerado o melhor da competição, numa escolha que mais tarde mereceu a discordância pública de Joseph Blatter -, no Barcelona passou algum tempo de baixa por lesão e quando esteve operacional não atingiu o nível de um passado recente. “Este ano nem há discussão”, soltou há uns meses o técnico Carlo Ancelotti, convicto da vitória do jogador que orienta no Real Madrid.
Não restam grandes dúvidas. O universo do futebol dá por certa a terceira Bola de Ouro para Cristiano, que o deixará a uma de igualar o recorde de Messi e aguça deste já o apetite para 2015 – que por ironia começou com derrotas para ambos.
Adicionando as Bolas de Ouro conquistadas por Eusébio (1965) e Figo (2000), Portugal entra num restrito lote de países que viram os seus jogadores serem premiados em cinco ocasiões, ao lado de quatro outras potências e só atrás de Alemanha, Holanda e França.
E se os brasileiros – coroados através de Ronaldo (2), Rivaldo, Ronaldinho e Kaká – e os argentinos – vitoriosos por via de Di Stéfano, quando já se tinha naturalizado espanhol, e Messi (4) – só a partir de 1995 passaram a ser admitidos na votação, já ingleses e italianos, por serem europeus, estiveram sempre em condições de receber a distinção criada em 1956 pela revista France Football.
Com mais esta previsível conquista, Ronaldo eleva Portugal a outro patamar. E a menos de um mês de completar 30 anos (5 de Fevereiro) não seria surpresa que no discurso de vitória assumisse já a intenção de voltar dentro de um ano, para a quarta coroação.
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