Ateus, involuntariamente, ajudam crente

Há quem diga que só perde quem desiste. É também preciso ser-se irracionalmente otimista, acreditando que, no fim, tudo se irá compor. É o que dizemos às crianças para as acalmar, mas também resulta com muitos adultos. E os ateus, involuntariamente, podem ajudar os crentes, bem como o inverso. Nem que seja só com uma…

Aconteceu-me há umas semanas o que já terá acontecido a vários de vós: deixei cair ao chão o meu computador pessoal, e o disco rígido partiu-se, tendo de ser substituído. Como a loja onde eu vou quando tenho problemas com o computador – muito simpáticos e competentes – não tinha discos rígidos em stock, passei uns dias sem computador. E, o que mais me custou, foi a falta de música. Costumo ter sempre música a tocar. Sem computador e sem rádio, tive de recorrer à televisão, ligada e sintonizada nos canais de música.

Isso acabou por ter uma inesperada vantagem: pôs-me em contacto com a música que se faz hoje em dia. E, dos grupos que descobri, o meu preferido é o “Portugal. The man”. Para quem não saiba, é um grupo norte-americano, do Alasca, e que não tem qualquer relação com Portugal: escolheram o nome do nosso país porque “soava bem”.

Agora oiço intensivamente os P.TM, e uma das canções que mais gosto é “Modern Jesus”. É uma canção escrita por ateus, e possivelmente destinada a ateus. Mas mesmo eu, que sou crente, consigo encontrar algo positivo na mensagem da canção, nomeadamente quando eles cantam “the only rule we need is never giving up” (a única regra de que precisamos é nunca desistir).

A minha vida, como a de toda a gente, tem aspetos mais e menos positivos. Tenho de a trilhar, uns dias mais animado do que em outros. Há quem me procure rebaixar, mas há quem me procure ajudar, e ajude mesmo.

O essencial, de facto, é nunca desistir. Há quem diga que só perde quem desiste. É também preciso ser-se irracionalmente otimista, acreditando que, no fim, tudo se irá compor. É o que dizemos às crianças para as acalmar, mas também resulta com muitos adultos. E os ateus, involuntariamente, podem ajudar os crentes, bem como o inverso. Nem que seja só com uma inspiradora canção.