ONU alerta para tortura e execuções policiais na Venezuela

Michelle Bachelet falou em 57 presumíveis execuções, só em julho, que terão sido levados a cabo pelas forças especiais. A Venezuela terá garantido já ter detido mais de uma centena de agentes nos últimos anos

A Alta-Comissária para os Direitos Humanos das Nações Unidas, Michelle Bachelet, afirmou ter documentado casos de torturas, detenções arbitrárias e até de execuções sumárias, levadas a cabo pelas Forças de Ações Especiais da polícia venezuelana, ou FAES. Bachelet disse ao Conselho de Direitos Humanos da ONU que a organização não-governamental Monitor de Victimas terá encontrado 57 presumíveis casos de execuções só em julho, tendo apelado para que o Governo de Nicolás Maduro puna os responsáveis, sendo avançou a Reuters.

Tornaram-se recorrentes as imagens divulgadas nas redes sociais de homens de preto a arrombarem portas em Caracas, sendo frequentemente sugerido que se trataram de elementos das FAES. Este corpo especial foi criado em finais de 2017, com o objetivo de "combater o crime e o terrorismo", nas palavras do Presidente Nicolás Maduro. "Não respondem à lei, mas sim a uma lógica de guerra", considerou Keymer Ávila, investigador do Instituto de Ciências Criminais da Universidade Central da Venezuela, em declarações ao Caracas Chronicles, referindo como estes agentes "caçam" os seus alvos com impunidade, sobretudo nos bairros pobres da capital. 

 

Entrentanto, as FAES também têm sido vistos a executar funções de controlos de protestos. "A PNB [Polícia Nacional Bolivariana] tem uma brigada específica para isso e eles têm armas não-letais para conter estes eventos. É muito delicado que a FAES esteja a ser usada para controlar manifestações, porque não têm nem o treino nem o equipamento",  mencionou Ávila, investigador do Instituto de Ciências Criminais da Universidade Central da Venezuela, acrescentando: "Eles não estão treinados para conter, mas para matar". 

 

Segundo Bachelet, o Ministério Público venezuelano assegurou-lhe ter detido 104 agentes das forças de segurança por violações de direitos humanos, no período entre agosto de 2017 e maio de 2019 – mas Bachelet exigiu ao Governo mais detalhes sobre as condenações. A Alta-Comissária também apontou críticas às sanções norte-americanas à Venezuela, que afirmou serem um dos fatores responsáveis para a hiperinflação, colapso económico e êxodo em massa do país. "Tudo isto contribui para a situação humanitária cada vez mais grave" na Venezuela, concluíu.