3ª dose. Plano pedido a Gouveia e Melo não foi seguido

Equipa de Gouveia e Melo previa arranque a 6 de outubro com 80 mil doses por dia, entre reforço da covid-19 e gripe, que permitiriam ter chegado ao final da primeira semana de dezembro com 2,4 milhões com dose de reforço e menor sobrecarga dos profissionais de saúde.

Por Felícia Cabrita e Marta F. Reis

O plano para o reforço da vacina da covid-19 e vacina  contra a gripe deixado pela equipa de Gouveia e Melo quando cessou a atividade da task-force de vacinação não foi seguido. Ao que o Nascer do SOL apurou, antes de deixar as funções em setembro, o vice-almirante entregou um plano para a terceira dose com três cenários, um dos quais previsto para um quadro de reforço da vacina a todos os maiores de 65 anos até dezembro em conjunto com a vacina da gripe, como veio a acontecer. 

A diferença é que previa que logo a partir de 6 de outubro começassem a ser dadas em paralelo as terceiras doses da vacina da covid-19 e a vacina da gripe, com uma semana para os centros de vacinação se adaptarem e voltarem a administrar 80 mil vacinas por dia a partir de 11 de outubro, 60 mil de covid-19 e 20 mil de gripe, menos do que fizeram no verão e algo que só nos últimos dias está a ser conseguido. 

A vacinação da gripe acabou por avançar mais rápido do que a da terceira dose da covid-19 e só a 26 de outubro ficou disponível o auto-agendamento das vacinas contra a gripe e reforço da vacina contra contra a covid-19.

Fonte próxima do planeamento adiantou ao Nascer do SOL que o plano de Gouveia e Melo permitiria ter-se chegado ao final da primeira semana de dezembro com 2,4 milhões com dose de reforço e menor sobrecarga dos médicos e enfermeiros aos fins de semana nos centros de vacinação, distribuindo o esforço.

 «Estão outra vez a vacinar como uns loucos, quando a roda estava montada», afirma. O país terminou a primeira semana de dezembro com 1,6 milhões de portugueses com reforço da vacina, tendo recuperado o ritmo de vacinação mas, a manter-se, só na próxima semana será atingido o patamar de 2,4 milhões com reforço de vacina, sendo que entretanto estão também a receber já o reforço além de maiores de 65 anos pessoas que tomaram a Janssen e, nas próximas semanas, inicia-se a vacinação de crianças.
 
Um mês perdido

O plano entregue por Gouveia e Melo previa vacinar 80 mil pessoas, sem contar com os fim-de-semana para não sobrecarregar profissionais de saúde. 

As contas ficaram feitas: até 29 de outubro era necessário vacinar 800 mil pessoas com mais de 80 anos. De 29 de outubro a 17 de dezembro, todas as pessoas com mais de 65 anos elegíveis, mais de 1,6, milhões de pessoas. Portanto, a média de vacinação era de 80 mil pessoas por dia, um grupo de 20 mil de gripe e 60 mil de covid, explicou ao Nascer do SOL fonte ligada ao processo. Desta forma, seria possível ter chegado ao final da primeira de dezembro com 2,4 milhões com o reforço da vacina.

Ao perder as primeiras três semanas, mesmo que a vacinar 50 mil pessoas por dia, foram menos um milhão de vacinas dadas inicialmente. 

Além da desorganização inicial, nomeadamente na mobilização dos centros de saúde, a mesma fonte atribuiu a falhas na comunicação uma menor adesão inicial da população. 

Número de pessoas vacinadas 

Na tarde desta sexta-feira, a DGS informou que, naquelas últimas 24 horas, foram vacinadas mais 64.506 pessoas com a dose de reforço da vacina contra a Covid-19. Segundo o relatório de vacinação diário, no total, já tomaram a dose de reforço 1.856.693 portugueses.

Mas há mais dados: completaram o esquema vacinal mais 4.102 pessoas, contabilizando assim 8.614.234 pessoas totalmente inoculadas.

Quanto à vacinação da gripe, a DGS aponta para 2.176.586 as pessoas que já levaram esta vacina, o que representa mais 21.448 utentes. «Relativamente ao dia anterior, foram registadas um total de 90.056 inoculações de vacinas contra a covid-19 (esquema primário completo e reforço) e contra a Gripe», diz a DGS.