É nesta altura de transição energética um pouco por todo o mundo que se pensa em duas alternativas de energias mais limpas e renováveis: o lítio e o hidrogénio. Várias empresas – tanto portuguesas como europeias – estão a adotar estas energias como partes centrais das suas estratégias para a transição energética.
Empresas portuguesas como a EDP, a Galp ou a Efacec estão a avançar com projetos inovadores de hidrogénio verde e energia limpa e há também gigantes europeias como a Siemens ou a Volkswagen que estão a estabelecer parcerias estratégicas e a expandir as suas capacidades em tornos destas tecnologias. Mais recentemente, a Repsol anunciou querer arrancar no próximo ano com a produção de biometano e hidrogénio em Sines, como parte da estratégia de transição energética.
E são mesmo estas as palavras de ordem: transição energética. O uso do lítio e do hidrogénio já é defendido por instituições como a Comissão Europeia, há muitos anos e torna-se cada vez mais relevante. Nesse sentido, foi criado o Pacto da Indústria Limpa é um plano para a competitividade e a descarbonização, que define ações concretas para transformar a descarbonização num motor de crescimento para as indústrias europeias, que inclui Portugal.
Hidrogénio: vários projetos
Em fevereiro deste ano, a Comissão Europeia anunciou 1,25 mil milhões de euros para 41 projetos transfronteiriços de infraestruturas energéticas, no âmbito do Mecanismo Interligar a Europa. Em destaque está o projeto H2med que é uma iniciativa transnacional para interligar as redes de hidrogénio da Península Ibérica com o Norte e Centro da Europa, de modo a que seja fornecido à Europa, a partir de 2030, hidrogénio verde a um custo acessível. Esta iniciativa foi lançada por França, Espanha e Portugal, com um forte apoio da Alemanha.
Outro destaque, por exemplo, é que, a partir de 2027, a rede de distribuição de gás natural da região de Lisboa, que abrange os concelhos de Lisboa, Amadora, Oeiras, Cascais, Mafra, Sintra e Loures, vai começar a receber o hidrogénio verde produzido pela empresa HyChem no pólo da Póvoa de Santa Iria.
Destaque ainda para o GreenH2Atlantic, um projeto liderado pela Galp e EDP que visa a produção de hidrogénio verde em larga escala na antiga central a carvão de Sines.
Ainda este ano, o Fundo Ambiental, tutelado pelo Ministério do Ambiente e Energia, aprovou a seleção final de 17 projetos no âmbito do concurso referente ao reforço de hidrogénio e gases renováveis, uma medida integrada no regulamento REPowerEU financiada pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).
Apesar de ser difícil fazer um ponto de situação do país em relação à média europeia, sabe-se que está atrasado face a países como a Alemanha ou a França em termos de infraestruturas, investimentos e projetos em larga escala.
Portugal e a corrida ao lítio
Um material importante para a transição energética é o lítio e é certo que há muito em Portugal. Este material vai ganhando cada vez mais importância à medida que avançamos para um futuro mais sustentável, tornando-se um componente essencial para inovações tecnológicas e soluções energéticas mais verdes. E a produção de baterias para carros elétricos ditam ainda esta mais tendência.
Portugal é o país da União Europeia com maiores reservas de lítio, com depósitos significativos no norte e centro do país. Apesar de já existirem trabalhos de prospeção nessas zonas, existem vários desafios como o impacto ambiental e a aceitação social ou a mineração sustentável. Nesse sentido, a exploração e aproveitamento comercial ainda terão de esperar.