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BES: Maioria diz que solução não pode ser analisada com ‘demagogia’

Trocas de acusações entre PSD e CDS-PP e PS marcaram o início da audição da ministra das Finanças, com a maioria a considerar que o resgate do BES não pode ser analisado com "demagogia" e a relembrar o BPN.


"O país precisa muito, neste momento, de serenidade e não de demagogia, sobretudo de agentes políticos que têm tanta responsabilidade em crises do sistema financeiro", disse o deputado do PSD Duarte Pacheco, no parlamento, nas intervenções iniciais, antes de ser ouvida a ministra das Finanças a propósito do resgate ao BES.

O social-democrata respondia, assim, ao deputado do PS Alberto Martins que antes tinha dito que o que aconteceu no banco fundado pela família Espírito Santo demonstra "o falhanço" do Banco de Portugal, das entidades da 'troika' e do Governo.

Para Duarte Pacheco, a posição do PS é "demagogia pura e simples de quem, quando houve uma crise financeira, procurou uma simples nacionalização, cujo custo foi imputada a todos os portugueses". 

Também a deputada do CDS Cecília Meireles dirigiu-se às bancadas da oposição para lamentar a falta de alternativas à solução encontrada pelo Governo e pelo Banco de Portugal. 

"O CDS tem dito que, de todas as soluções possíveis, esta é a melhor solução. Muito se disse sobre isto, mas ainda não ouvi uma alternativa. Afinal qual é a alternativa?", lançou Cecília Meireles.

A deputada questionou ainda se "seria melhor deixar cair o banco e deixar milhares de pessoas no desemprego" ou se "seria bom ter um segundo BPN".

As declarações da deputada do CDS motivaram burburinho na sala, com vários apartes trocados entre as bancadas da maioria e do PS.

Finalmente, em resposta às críticas da oposição, Cecília Meireles referiu-se ao dinheiro dos depositantes do BES, afirmando que "quem defende que se devia ter deixado cair o BES tem de explicar às pessoas que, com isso, iam perder todo o dinheiro que lá tinham depositado".

Na noite de domingo, o Banco de Portugal tomou controlo do BES e anunciou a separação da instituição num banco mau ('bad bank'), que concentra os activos e passivos tóxicos, e num 'banco bom', o chamado Novo Banco, que reúne os activos e passivos não problemáticos, como será o caso dos depósitos, e que receberá uma capitalização de 4,9 mil milhões de euros do Fundo de Resolução bancário.

O Fundo de Resolução bancário, que vai capitalizar o Novo Banco, foi criado em 2012 para intervir financeiramente em bancos em dificuldades, aplicando as medidas determinadas pelo Banco de Portugal. Este fundo é financiado pelas contribuições regulares dos mais de 80 bancos com actividade em Portugal e por contribuições extraordinárias em caso de crise num banco em particular.

No entanto, como este fundo é recente, ainda não está suficientemente dotado, pelo que, dos 4,9 mil milhões de euros com que o fundo vai capitalizar o Novo Banco, a parcela mais significativa virá do dinheiro da 'troika' para o sector financeiro, através de um empréstimo com um juro que começa em 2,95%.

Lusa/SOL